Chega de Inércia (ou “Primeira Lei de Newton”)

Conhecida como Princípio da Inércia, a primeira lei de Newton afirma que se a soma de todas as forças que agem em um objeto é nula, a velocidade do objeto é constante. Dessa forma, um objeto que está em repouso ficará em repouso, a não ser que uma força resultante não nula aja sobre ele; e um objeto que está em movimento não mudará a sua velocidade, a não ser que uma força resultante não nula aja sobre ele.

Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.

A primeira lei de Newton é muito mais importante do que os alunos do Professor Juninho Pereira podem imaginar. Podemos aplicar esta lei da Física em praticamente todos os aspectos de nossa vida, desde aquela preguiça de sair da cama numa 2ª feira de inverno, até a implementação das sugestões de melhoria propostas pela equipe de Auditoria Interna no relatório do ano passado. A inércia é parte integrante de nossa existência.

Engana-se aquele que pensa que inércia é a sina dos preguiçosos. A inércia pouco tem a ver com preguiça, mas sim, com a aplicação de forças equivocadas, que acabam por se anular e, dessa forma, são incapazes de fazer com que os objetos se movam ou parem de se mover. Primeira lei de Newton.

Em “Porque não somos tons de cinza”, apresentam-se três diferentes formas de utilizar nossos campos mentais. Pessoas podem apresentar certa preferência pelo operacional, racional ou  intuitivo, e tal preferência pode variar ao longo dos anos, ou conforme as circunstâncias. Compreender nossas preferências pessoais e compará-las com aquilo que se espera de nós é uma forma de avaliar se aquilo que fazemos está alinhado aos nossos propósitos. Estar “no lugar certo” não significa, entretanto, que estamos adotando as atitudes corretas. Nossa preferência por diferentes campos mentais nos leva a diferentes formas de tomar decisões, e daí exercemos forças para quebrar a inércia – desde que apliquemos as forças corretas.

Lembre-se de algumas das reuniões que você participou nos últimos meses. Divida uma folha de papel ao meio e escreva, no topo de cada metade, “produtiva” e “não produtiva”. Agora escreva, em “produtiva” ou “não produtiva”, os assuntos cobertos em cada uma dessas reuniões. Não há critério científico, a classificação deve seguir sua própria percepção. Se você foi capaz de classificar mais reuniões como “produtiva” do que “não produtiva”, você tem bons motivos para comemorar. A Forbes publicou uma pesquisa apontando que metade dos executivos entrevistados acreditam que reuniões representam total perda de tempo. Mas isso não precisa ser assim. A vida empresarial pode ser eficiente e efetiva, basta saber identificar quais forças são capazes de tirar a empresa da inércia. Acontece que cada campo mental atua de forma diferente em processos decisórios, e cada campo mental tem sua própria força neutralizadora, capaz de colocar as pessoas em inércia, apesar dos esforços em contrário.

Você se considera operacional? Seu sobrenome é “Execução”? Pessoas com capacidade operacional tendem a ser práticas, manter o foco no produto final e entregá-lo de forma satisfatória, o que não significa que tais pessoas estejam livres da inércia. O grande risco de pessoas operacionais reside na sensação de domínio. Ao crer que “sabe fazer”, o operacional pode não dedicar suficiente atenção aos detalhes, deixando passar certas falhas no produto final. A inércia do operacional está na ausência de força de redirecionamento, capaz de corrigir falhas no processo atual. O mal do operacional está no “piloto automático”, ou na resistência ao novo, que venha a questionar o “sempre fizemos dessa forma”. Operacional pode vir a ser aquele que preza pelo status quo.

Se você tende ao racional, se você sente-se a vontade com conceitos, processos e referências lógicas, saiba que você é um potencial antídoto à inércia do operacional. Você é capaz de prover senso de direção aos negócios, mas pode não ser a pessoa mais apropriada para executar aquilo que prega. A inércia do racional está na sede por detalhes. O racional pode hesitar em partir para a execução, por entender que não tem em mãos todas as evidências necessárias para suportar qual ação se adequa a cada situação. O racional pode ver-se eternamente preso em sua busca por diagnósticos, sem um plano de ação que possa ser de fato posto em prática.

Finalmente, se você é do tipo intuitivo, você sabe muito bem como explorar o lado emocional das pessoas, motivando-as através de uma visão comum. Entretanto, ninguém vive de sonhos; o intuitivo necessita do racional para desenhar os processos que transformarão sonho em realidade, e o racional, por sua vez, necessita do operacional, que irá executar aquilo que o intuitivo idealizou e o racional desenhou. A inércia do intuitivo reside na execução equivocada, ou simplesmente na falta de execução, fazendo com que os sonhos caiam em descrédito. E sonhos sem seguidores não são mais que sonhos.

Da próxima vez que agendar uma reunião, defina claramente os objetivos que se pretende alcançar, identifique as preferências de cada um dos convidados e o papel que espera-se que cada um venha a desempenhar. Não existe uma fórmula mágica, cada reunião tem seu propósito único e, para cada propósito, um diferente perfil de líder será requerido. Em toda e qualquer reunião, entretanto, temos sempre certos pontos em comum: objetivos e ações devem ser claramente definidos; formas de avaliar se tais ações se mostram adequadas para solucionar o problema identificado devem ser acordadas; executor e prazo para entrega de resultados também devem ser explicitados nas minutas da reunião.

Aplicar força para eliminar a inércia nas corporações pode ser efetivo, mas aplicar a força correta é, sem dúvida nenhuma, muito mais eficiente.

Andre L Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em Finanças para uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Foi leitor assíduo de Garfield durante a adolescência, mas nunca se identificou com o personagem. Talvez isso comprove outra propriedade da Física, que é a de que pólos diferentes se atraem.

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