Prisões mentais

Juan Nita Maiko Jr., em seu artigo sobre Coaching Empresarial, faz referência ao filme A Origem:

Uma ideia é como um vírus. Resistente. Altamente contagiosa. A menor semente de uma ideia pode crescer. Pode crescer para definir ou destruir você.”

Goste ou não do gênero, o fato é que a frase acima vai muito além do roteiro cult do filme. Ideias tem o poder de destruir pessoas, e convencionamos chamar tais ideias de alto poder destrutivo de preconceitos, que nada mais são do que conceitos ou ideias pré-concebidas acerca de uma determinada pessoa, empresa, local ou situação.

Preconceitos vão muito além do coletivo. Quando falamos em preconceitos, automaticamente nos vem a mente os mais debatidos, como o preconceito contra uma determinada religião, cor da pele, status social, gênero ou preferência sexual. Mas existem outros tantos, os quais às vezes nem somos capazes de classificá-los. Sabe aquele famoso “não sei por que, mas não vou com a cara dele”? Pode soar como intuição, como sexto sentido, mas provavelmente essa reação irracional vem de preconceitos inculcados em nossa mente.

O mundo, tal qual o vemos, é uma construção e projeção de nossa mente. Discutimos este conceito em “O inferno não são os outros”, quando afirmamos que “medos são criações de nossa mente, não encontramos medos caminhando pelas ruas ou sentados na mesa ao lado”. As pessoas, as coisas, as ações ao nosso redor não têm valor intrínseco, mas apenas o valor que atribuímos a elas. Pode parecer estranho pensar dessa forma, especialmente quando nos referimos a pessoas. Como poderíamos aceitar, por exemplo, que aquela pessoa que amamos não é uma pessoa boa? Procure bem e certamente achará alguém que simplesmente não suporta estar ao lado daquela pessoa que você tanto ama. A pessoa ser boa ou má, agradável ou insuportável, é simplesmente uma questão de julgamento pessoal.

A boa notícia é que somos capazes de mudar a forma pela qual interpretamos o mundo. Para isso, precisamos analisar os tipos de preconceitos, ou prisões mentais, que carregamos conosco, e então entender como recriar o mundo ao nosso redor. Segundo o Sistema ISOR®, as prisões mentais podem ser classificadas como:

  • Clichês: frases prontas, ditos populares, transformando a realidade em rótulos. Clichês bloqueiam o progresso nas empresas, gerando ineficiência e mediocridade.
  • Mítica: trata-se do medo psicológico, que impede uma postura positiva sobre nossas próprias vidas.
  • Dogmática: visão pronta ou definitiva da vida, nada pode mudar.Essa visão limita nossa capacidade de questionar a realidade.
  • Ideológica: visão bitolada, repetitiva, unilateral.
  • Salvadorista: a pessoa assume ser a única detentora da verdade, e quem não segue seu modelo ou crença está perdido.
  • Moralista: condenam os outros quanto a certos tabus.
  • Dicotomia: quando dividimos o mundo entre certo e errado, bom e mal, nós e eles. Essa visão limita potenciais sinergias entre diversas áreas nas empresas.
  • Tecnicista: visão mais analitica, científica, lógica, mas essencialmente pequena para compreender relacionamentos interpessoais. Fórmulas prontas, lógica, números e gráficos não são suficientes para resolução de todos os problemas.
  • Especifica: referenciais e visões próprios de uma determinada área de conhecimento, não ultrapassando os muros dessa área.

Para que possamos nos libertar de nossas prisões mentais, devemos trabalhar nossa forma de encarar o mundo, buscando referenciais mais nobres, tais como:

  • Interdisciplinaridade: tudo depende de todos, uma disciplina complementa a outra. Integração. Cooperatividade e mútua ajuda.
  • Multidisciplinaridade: diversas visões analisadas ao mesmo tempo.
  • Transdisciplinaridade: ir além das disciplinas. Ter maior liberdade, sem se limitar a determinadas tendências.
  • Visão Holística: visão ampliada, abrangente. Considerar todas as possibilidades, sob todos os ângulos possíveis.
  • Visão Sistêmica: interdependência. Tudo está conectado, nada existe separadamente.

Procure identificar quais tipos de preconceitos rodeam sua mente. Acredite, eles estão lá, por mais que você se considere uma pessoa livre de preconceitos. Identifique-os e trabalhe conscientemente para que eles não sejam alimentados e, assim, acabem morrendo por inanição. Cultive referenciais mais nobres, e faça-o de maneira consciente. Este não é um exercício simples, e provavelmente não é tarefa daquelas que, um dia, entrará em “piloto automático”. A busca pela libertação de sua própria mente é um exercício diário de auto-conhecimento.

E então, quais são suas prisões mentais? Quais são as batalhas diárias que você quer assumir para libertar-se? Esteja certo que, ao libertar sua mente de tais prisões, você estará eliminando um grande peso de sua vida, tornando seus dias muito, mas muito mais leves.

Andre L Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em Finanças para uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Trava sua luta diária contra os fantasmas do tecnicismo e da especificidade, que insistem em assombrar sua mente de “pessoa de finanças”. A batalha nunca é dada como ganha, mas pequenas vitórias são alcançadas e celebradas diariamente.

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