Sua resolução de ano novo para 2016

Dezembro. Almoço de confraternização na empresa. Ceia de Natal com familiares. Churrasco com amigos. Férias. Praia. Réveillon. Todos de branco, pulando ondinhas, comendo lentilha, guardando sementes de romã ou seguindo qualquer outra tradição nas primeiras horas do ano novo. E como não poderia faltar, promessas para o ano que se inicia. Parar de fumar, praticar esporte, perder peso, trabalhar menos, gastar menos, poupar mais, dedicar mais tempo à família e aos amigos, terminar aquele projeto iniciado há anos e por diversas vezes adiado; a lista é individual, mas os temas são quase sempre os mesmos. E no final de 2016, grandes serão as chances de que os temas sejam (quase) os mesmos da lista de 2015. Isso porque tendemos a tratar nossas resoluções de ano novo como promessas, quando deveríamos tomá-las como metas.

“Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta.”

Dilma Rousseff, explicando o Pronatec Aprendiz em discurso em Brasília, no dia 28 de julho de 2015.

Você, assim como eu e outros tantos milhares de brasileiros, deve ter dado boas risadas com essa frase, sem perceber que nossas resoluções de ano novo refletem exatamente a tática explicada (?) pela presidente: “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta.”

Mas por que nossas resoluções de ano novo tendem invariavelmente ao fracasso? Me arriscaria a dizer que isso acontece por conta dos seguintes principais fatores:

1. Não nos conhecemos suficientemente bem. Nossa lista reflete não aquilo que realmente queremos, mas o que nossos amigos, familiares, a internet, aquele programa de TV, aquela revista semanal, nos apresenta como bom, desejável, recomendável para nosso sucesso, saúde, felicidade. Nossa lista não reflete nossos ideais, mas sim o que os outros esperam de nós.

2. Incluímos em nossa lista temas que nos incomodam, no que diz respeito a forma que lidamos com a vida e definimos prioridades, mas não somos capazes de abandonar velhos vícios e assumir novos e bons hábitos. Não faltam boas intenções, mas carecemos de um plano e uma rotina pré-definida.

3. Caso tenhamos um plano de implementação para nossas metas e uma rotina pré-definida para sua execução, é possível que nos falte priorização. Nossa lista é tão abrangente que simplesmente não pode ser executada em apenas um ano, exceto se tirarmos o ano para execução do plano, no melhor estilo “sabático”. Queremos abraçar o mundo, tudo é prioritário, e assim acaba o ano e nada foi implementado.

4. Ainda que tenhamos uma lista enxuta de prioridades para o ano novo, com plano de implementação e rotina pré-definida, pode ser que deixemos tudo isso para depois, acreditando haver algo mais importante em nosso caminho para ser trabalhado. Deixamos de executar nosso plano para atender às demandas de terceiros. Não temos pleno controle sobre nossas próprias vidas.

Você pode enxergar outras causas para o recorrente fracasso em implementar resoluções de ano novo. A lista acima é apenas minha visão sobre o tema, não se tratando do resultado de estudos científicos sobre o tema. Isso nada mais é do que meu “pitaco”.

Já que o assunto é resolução de ano novo e acabo de assumir que a lista acima nada mais é que minha lista, sem a pretensão de ser embasada por estudos científicos, listo abaixo minha receita para que sua resolução de ano novo para 2017 não seja uma cópia da lista que você prepara agora para 2016.

1. Conheça-se a si mesmo. Você pode fazer isso sozinho, com auxílio de um psicólogo, terapeuta, coach, mentor ou alguém suficientemente experiente para apoiá-lo nesse processo. Compartilho alguns links com ferramentas de auto-conhecimento nos textos “10 coisas que pessoas bem-sucedidas fazem todos os dias” e “Porque não somos tons de cinza”.

2. Reflita a respeito de suas atitudes. Como é sua rotina, seu dia-a-dia, em casa, no trabalho, no convívio social? Quais são as atitudes que alimentam conflitos desnecessários, que reduzem sua produtividade, que te deixam infeliz? E quais são as atitudes que trazem os resultados mais positivos, que te fazem sentir-se amado, respeitado, feliz consigo mesmo? Defina quais atitudes você quer mudar e quais você quer reforçar, para que sua vida seja mais positiva. Você pode encontrar inspiração nos textos “E que o mundo gire ao seu redor”, “O inferno não são os outros”, “Prisões mentais” e “Extravase a raiva”.

3. Inclua em sua lista a atividade que considera mais importante para cada um dos diversos papéis que você exerce: profissional, familiar, social, financeiro, seu “eu físico”, seu “eu mental”, e se for o caso, seu “eu espiritual”. Com isso, você já terá uma lista com seis ou sete prioridades para 2016. Por exemplo:

  • Profissional: fortalecer relacionamento com área de Marketing, através de reuniões mensais de alinhamento de metas e prioridades.
  • Familiar: dedicar uma hora por dia, durante a semana, exclusivamente para a família. Desligar celular, tablet, laptop, TV e outros fatores distrativos, brincar com as crianças e conversar com a esposa sobre como foi o dia delas. Não há compensações, não se pode “pular” um dia com a promessa de compensar no dia seguinte ou no final de semana.
  • Social: encontro com amigos, pelo menos um sábado por mês. Viajar com melhores amigos nas férias de verão, para local que seja adequado para crianças pequenas.
  • Financeiro: poupar 10% do salário mensal em aplicações de baixo risco. Aplicar integralmente eventual bônus ou outras rendas adicionais, em aplicações de longo prazo.
  • Eu físico: treino de corrida às terças, quintas e domingos, mínimo de 45 minutos, máximo de duas horas por dia.
  • Eu mental: aulas de Francês, às segundas e quartas, e uma hora de “lição de casa” aos domingos.

4. Defina um fiscal (um amigo, um parente, seu coach) e uma penalidade, caso não execute uma das tarefas em sua lista. A penalidade que funciona é geralmente aquela que pesa no bolso e, ao mesmo tempo, tira de você algo que lhe dá prazer. Que tal doar uma quantidade generosa para uma instituição de caridade que você respeite e confie e deduzir o valor da doação de seu orçamento, deixando de comprar sua cerveja ou vinho, por exemplo, ou deixando de ir ao estádio para assistir àquele clássico que você tanto esperou?

Espero que a lista acima possa ser útil para a elaboração de sua resolução de ano novo. Copie-a, adapte-a às suas necessidades, inclua outros tópicos que você entenda que são importantes mas que não foram cobertos pela minha lista. Qualquer que seja o conteúdo de sua resolução de ano novo, espero sinceramente que a lista para 2017 não seja mera cópia da lista de 2016.

Andre Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em Finanças para uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Sua resolução de ano novo para 2016 já está concluída, sendo que dois dos seis objetivos são repetições da resolução para 2015.

Imagem cortesia de Stuart Miles em FreeDigitalPhotos.net

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