A sabedoria de reconhecer sua própria ignorância

“Ter consciência da própria ignorância já é um passo para o saber.”

Benjamin Disraeli, em seu livro “Sybil or the Two Nations”, publicado em 1845.

No lançamento oficial de meu blog, tive a felicidade de ser parabenizado por parentes, amigos e profissionais, os quais respeito e admiro. Entre diversos comentários encorajadores, mostrando que a decisão de abrir este espaço foi acertada, houve uma divertida sequência de mensagens trocadas com meu amigo e ex-chefe Marcos Minoru Nakatsugawa, da Produtive. Lembranças e boas risadas à parte, uma realidade veio à tona: pessoas teimam em acreditar em tudo o que veem no Facebook! Citamos blogs em artigos acadêmicos, repassamos aquele post sobre goji berry como a solução definitiva para a perda de peso e delineamento do corpo perfeito, pressionamos o Governo para pular etapas científicas e aprovar urgentemente aquele medicamento contra o câncer cujos potenciais efeitos colaterais ainda não são conhecidos, como se talidomida nunca tivesse existido. Vivemos a era da informação, mas tudo ao nosso redor se assemelha a um tsunami de desinformação.

Minha mãe já dizia que ninguém nasce sabendo. Aprendemos ao longo da vida, seja através de experiências pessoais, seja através da observação de experiências vivenciadas pelos outros. E uma das fontes de informação acerca de experiências vivenciadas pelos outros são os livros. Aí está a verdadeira fonte de conhecimento acadêmico. Livros são tesouros do conhecimento acadêmico, muito embora certos best-sellers representem não mais que opiniões pessoais, sem quaisquer embasamentos em trabalhos científicos – isso quando não temos livros vendendo ideias inovadoras suportadas por estudos ditos científicos, cujas conclusões foram devidamente construídas antes mesmo das pesquisas serem realizadas. A estatística pode, sim, ser manipulada, e para chegar-se às conclusões desejadas, basta desenhar cuidadosamente as perguntas e os testes a serem aplicados.

Acredito que a evolução, seja ela pessoal, profissional ou científica, vem do conhecer o que já foi feito, tentar replicar o conhecimento, combiná-lo das mais diversas formas, e a partir da experimentação, criar algo novo, que invariavelmente será a combinação de coisas que já existiam anteriormente. Nada se cria, tudo se transforma, não é mesmo, Lavoisier?

Austin Kleon, em seu livro “Roube como um artista”, cita o escritor Jonathan Lethem:

“Quando as pessoas chamam algo de ‘original’, nove entre dez vezes elas não conhecem as referências ou fontes originais envolvidas.”

Não tem nada de errado nisso. É através da observação do trabalho dos outros que buscamos inspiração para desenvolver nosso próprio. Thom Yorke, vocalista da banda britânica Radiohead, certa vez disse ter chamado o baixista do Red Hot Chilli Peppers, Flea, para tocar em seu projeto paralelo Amok, porque as linhas de baixo que Yorke escrevia eram claramente inspiradas pela maneira peculiar de Flea tocar baixo. Essa foi uma forma inusitada de ter Flea imitando Yorke, que imitava Flea. E para quem conhece Radiohead, Red Hot Chilli Peppers e Amok, fica evidente que as três bandas são diferentes, mas nenhuma pode ser considerada genuinamente original. Sempre há uma inspiração, uma combinação de referências construídas por talentos em sua área de atuação. Eu tenho minhas próprias referências em minha área de atuação.

Estimados leitores, especialmente meus ex-alunos da Anhanguera e da FVG-BI, peço-lhes encarecidamente um grande favor: não tomem meus textos como se fossem artigos científicos! Não citem meus textos em seus trabalhos acadêmicos, consultem livros de especialistas sobre coaching, mentoring, liderança, empreendedorismo etc., e citem tais autores em seus trabalhos! Terei imenso prazer em ver meus textos sendo compartilhados por vocês no Facebook, LinkedIn e outras mídias sociais, mas não tenho o menor pudor em afirmar que meus textos refletem tão somente minha interpretação pessoal sobre diversos livros que já li e diversas experiências que vivenciei, sem a menor intenção de serem considerados estudos científicos sobre liderança e técnicas de desenvolvimento profissional.

Andre L. Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em Finanças para uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Tem o hábito de apoderar-se, sem pedir permissão, de tudo o que julga ser positivo na postura profissional daqueles com quem trabalha e convive. O Andre de hoje é um pouco do Andre de sempre, aprimorado pelos bons exemplos daqueles que felizmente cruzaram seu caminho.

Imagem: Austin Kleon em www.flickr.com/photos/deathtogutenberg/sets/72157629454918267/with/6784165118/.

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