Dentro de uma década, nossos empregos estarão mortos.

“O problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costumava ser.”

Paul Valéry

Seu cargo atual pode desaparecer ao longo da próxima década. E a probabilidade disso acontecer é muito grande, especialmente se você, assim como eu, trabalha em um escritório, em frente a um computador, executando tarefas que, se automatizadas, seriam concluídas muito mais rápido e provavelmente com maior qualidade.

Parece exagero? Volte 20, 30 anos no tempo e veja o que aconteceu com a indústria automobilística e suas fábricas, antes abarrotadas de operários em suas linhas de produção. A robótica substituiu boa parte da mão-de-obra direta, e a economia de cidades inteiras foi severamente afetada. Pense em Detroit, pense na região do ABC. Se a robótica foi capaz de reduzir drasticamente a mão-de-obra direta empregada pela indústria, por que acreditar que sistemas informatizados não poderiam eliminar a necessidade das empresas em manter nossos cargos administrativos? A verdadeira onda de re-engenharia, reduzindo drasticamente o número de pessoas em cargos administrativos, ainda está por vir, e será muito mais revolucionária que a primeira onda, executada principalmente na década de 90, seguindo a fórmula prescrita por Michael Hammer.

Mas não se desespere, ainda temos alguns anos para nos prepararmos para essa revolução no mundo corporativo. E uma forma de se preparar é olhar para o passado e aprender com o processo de automação da indústria. Depois de um pico nos índices de desemprego, a maioria das pessoas voltou a ocupar uma posição no mercado de trabalho. Esses profissionais tiveram que desenvolver novas habilidades, suprindo novas demandas criadas pela indústria em decorrência de maior automação industrial e demanda por informação – já ouviu falar em “era da informação”?

E é exatamente isso que precisamos fazer: desenvolver novas habilidades, suprindo novas demandas que serão criadas pelas empresas, talvez relacionadas a mídias sociais e “big data”. Por incrível que pareça, essas são áreas ainda pouco exploradas. Muito se fala, mas muito pouco se faz de concreto com respeito a tais temas. As empresas ainda têm muito que aprender sobre mídias sociais e como utilizar “big data” para convertê-lo em receita e lucro.

O jornalista Rodrigo Caetano escreveu recentemente um artigo para a revista Isto É Dinheiro abordando o tema. Em seu texto, Rodrigo faz referência a duas “provedoras de soluções”: a agência / consultoria / boutique de ideias Mesa & Cadeira, da jornalista e empresária Barbara Soalheiro, com seus cinco empregados fixos e a habilidade sem-preço de trazer os melhores nomes do mercado, como free-lancers, para resolver os problemas de seus clientes; e a gigante Accenture, com seus 350.000 consultores em todo o mundo, dos quais 12.000 trabalham no Brasil. Essas duas firmas de consultoria, tão diferentes em tamanho e forma de atuação, tem um forte elo comum: a capacidade de converter os problemas enfrentados pelos seus clientes em soluções sustentáveis, como o projeto para batizar a nova picape da Fiat, a Toro, que resultou na formalização de metodologia para determinar o nome ideal para os próximos lançamentos da Fiat; ou então o Cubo, projeto da Accenture em parceria com o Itau, que funciona como uma incubadora de empresas e uma espécie de laboratório de soluções inovadoras.

O que as empresas realmente esperam de seu corpo administrativo vai muito além de relatórios, reuniões de alinhamento e outras atividades repetitivas e de baixo valor agregado. As empresas precisam de “solucionadores de problemas”. A tecnologia da informação pode substituir trabalhos repetitivos em frente ao computador, mas a Inteligência Artificial ainda está muito longe de substituir nossa capacidade de pensar e solucionar problemas – pelo menos no que tange ao custo-benefício para as empresas.

E aí está o valor das consultorias, startups e empresas de vanguarda como Google e Amazon, especialmente para quem está começando a carreira no mundo corporativo: tais empresas, diferentemente da grande maioria das empresas brick-and-mortar, treinam seus profissionais para a tão requisitada função de solucionar problemas.

Quer garantir seu espaço no mercado de trabalho corporativo daqui uma década? Esqueça aquelas listas de coisas que Steve Jobs ou Abílio Diniz fizeram de diferente em suas empresas, pois em 10 anos isso tudo estará muito provavelmente em algum lugar do passado. Melhor espelhar-se na história de grandes solucionadores de problemas – que tal começar estudando o que diferencia Ben Elliot e sua Quintessentially de todos os outros serviços de concierge?

 

Andre L. Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em Finanças para uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Valoriza (e muito!) a contribuição de Andersen e Deloitte para sua forma de pensar e agir, mas foi ao mudar-se para a indústria de bens de consumo que pôde explorar todo o potencial acumulado ao longo de 14 anos de “Big Four”. Foi quando passou de “propositor de soluções” a “solucionador de problemas”.

Imagem: graur razvan ionut em FreeDigitalPhotos.net.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.