Não Personifique as Situações

Semana passada minha esposa tomou uma multa. Essa é uma daquelas coisas que me tiram do sério. Uma multa é dinheiro jogado no lixo, fora a dor-de-cabeça dos pontos na habilitação. Ela sabe o quanto fiquei irritado com aquela situação.

Hoje saía às pressas de uma festa na escola das crianças, e mal me despedi das amigas de minha esposa. Ela odeia quando me esqueço das boas regras de convivência social. Ela fica realmente irritada com tal atitude.

Há alguns meses, conversando com as amigas, ela se esqueceu que nossa filha tinha aula particular de flauta e não levou-a até a casa da professora no horário marcado. Fiquei sabendo do ocorrido porque a professora me enviou uma mensagem de texto para confirmar se estava tudo bem. Essa situação constrangedora me deixou muito incomodado.

Em um reveillón na casa de uma grande amiga, não conseguia fazer minha filha dormir e isso me irritou profundamente, ao ponto de não conseguir aproveitar a festa e certamente fui ríspido com nossos amigos. Aquela situação me irritou profundamente, e acabei irritando minha esposa igualmente.

Veja você, exemplos não faltam de situações irritantes. Mas um ponto importante precisa ser destacado: o que me irritou, ou irritou minha esposa, não foram ela, minha filha ou eu, mas sim, as situações que vivenciamos.

É extremamente importante não personalizar nossas frustrações, nossas decepções, as situações que nos irritam, mas que no fundo não nos causam mais mal além de um curto estado de ira – ou um pouco menos de dinheiro no bolso, no caso da multa. Desde que não venha a causar danos maiores – isto portanto não vale se a pessoa ao seu lado é violenta ou adota comportamentos destrutivos ou perigosos – tudo passa, tudo se resolve. Todos estamos sujeitos a tomar certas atitudes que resultam em situações irritantes para os outros, e sabemos que são situações e não devemos personificá-las.

No trabalho, aprendemos a “engolir sapos” e suportar adversidades. Não pedimos a conta cada vez que somos contrariados, e quando o fazemos, ou é porque o ambiente de trabalho nos faz mal – destrutivo, perigoso – ou porque encontramos um emprego que promete ser muito melhor. Se isso funciona para o trabalho, deveria funcionar para a vida de um casal ou para aquele amigo de verdade.

Não desistamos deles, não personifiquemos situações desagradáveis mas, ao mesmo tempo, não aceitemos comportamentos destrutivos ou que nos colocam em perigo. Todo o resto são situações, não pessoas, e tudo pode ser resolvido. E tudo pode acontecer de novo, porque a gente evolui mas pode tomar outra multa ou ficar “de bode” num outro reveillón na casa daquela mesma super amiga.

Andre L. Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em finanças para uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. É o felizardo marido da Verena, pai de duas meninas lindas e um tanto quanto geniosas. Torce para não tomar uma multa tão cedo, senão terá que aguentar a Verena tirando sarro dele por um bom tempo. Te amo, Verena, e você sabe o quanto!

Imagem: artur84 at freedigitalphotos.net

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