O Carnaval Acabou. Feliz Ano Novo.

“Não se pode esperar muito de pessoas que vivem de futebol, carnaval e televisão. Que dirá de um país. ”

– Renilmar Fernandes

Antes que alguém comece a atirar pedras, um esclarecimento com relação a citação que abre este texto: não estou criticando meu país. Criticar o Brasil quando não mais resido em suas terras seria muito fácil. Estou sim criticando um costume. Escreva “no Brasil o ano só começa depois do carnaval” e obterá astronômicos 1.570.000 resultados de pesquisa! Isso não pode ser mera coincidência…

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Tampouco estou aqui para falar de generalidades, para culpar este ou aquele partido, esta ou aquela classe social, este ou aquele Estado. Estou aqui para ser mais específico. Estou aqui para falar de mim e de você.

Quando trabalhava na Andersen, o então Gerente de Recursos Humanos, Marcos Minoru, repetia seu mantra a todos os profissionais com quem interagia: “Você é o único responsável pela sua carreira”. Não entendia a frase naquela época, isso nos idos dos anos 90. Achava uma injustiça, coisa de Horácio mesmo (veja a definição de Horácio aqui, está no terceiro parágrafo), e que meu chefe e o RH da empresa, estes sim, eram os verdadeiros responsáveis pela minha carreira. Ainda bem que a gente cresce e aprende que as coisas não são bem assim. Ainda que meu chefe, naquela época, fosse um excelente gestor de pessoas, não faria o menor sentido esperar que ele ou outra pessoa qualquer tomasse decisões por mim. Fizesse as coisas acontecerem por mim. Executasse um trabalho que é só meu. Atingisse objetivos que deveriam ser meus. Estou aqui neste mundo com algum propósito, e se ainda não sei qual propósito é esse, já passou da hora de descobri-lo e batalhar por ele. Tenho que dar um sentido a minha vida, e você também deveria buscar seu propósito.

Você já se perguntou onde quer estar daqui um, três, cinco, dez anos? Não estou falando de cargo, portanto não se limite a isso. Cargos não são mais que rótulos, e não somos latas de Pringles para precisar de rótulos. Pense de forma mais abrangente. O que você quer da sua vida daqui um, três, cinco, dez anos? Estará casado, morando com alguém, namorando, morando sozinho ou vivendo com os pais? Estará pagando aluguel ou morando em casa própria? Curtindo um carro novo, comprando seu primeiro carro usado ou sentindo-se saudável e contribuindo para o bem comum ao ir para todos os lados com sua bike? Terá filhos, gatos, cachorros, peixinhos de aquário? Quanto terá aprendido e a quantos terá ensinado? Terá resolvido a equação que responde a todas as perguntas do mundo, ajudado a resolver o problema da fome na Africa, implementado soluções duradouras para a seca no Nordeste ou consertado aquela válvula de descarga no banheiro de sua casa que não parava de vazar?

Ao visualizarmos onde estaremos daqui um, três, cinco, dez anos, somos capazes de criar nosso futuro. E não estou aqui falando de “O Segredo”, a força do pensamento positivo ou que o Universo conspira a nosso favor. Nada acontece gratuitamente. Temos que visualizar nosso futuro e trabalhar todos os dias com esse futuro em mente. Quer um carro novo? Trabalhe todos os dias pensando que você está chegando cada vez mais perto de compra-lo, tudo isso com o dinheiro que recebe pelo trabalho que executa. Essa seria uma forma do seu trabalho ser mais prazeroso. Agora tente associar algo menos tangível a esse objetivo, digamos, ajudar alguém a desenvolver-se profissionalmente. Se você pode ensinar o que sabe a alguém trabalhando com você, não estaria trazendo mais prazer ao seu trabalho? E ao ensinar o que sabe a seus colegas de trabalho, não estaria criando condições para que alguém possa executa-lo e, assim, você deixaria de ser essencial naquilo que faz e poderia então ser promovido?

Você pode até pensar: “Mas se me tornar substituível, ao invés de ser promovido, posso acabar sendo mandado embora” – e tenho que admitir que você pode estar certo! Mas o que traria mais prazer ao seu dia-a-dia: deixar de fazer algo que acredita e que te traz satisfação no trabalho, por receio de perder o emprego, ou fazê-lo e então correr o risco de ser dispensado de uma empresa que não valoriza bons profissionais como você? Talvez a demissão seja a melhor coisa que possa acontecer, caso trabalhe para uma empresa que não é capaz de enxergar o valor de um profissional que ajuda seus colegas a se desenvolverem.

E sabe o que é mais legal nisso tudo? Embora propósitos possam ser bastante estáveis, relacionados aquilo que acreditamos, que está enraigado em nossos corações e mentes, objetivos são mais flexíveis, e podemos mudar de objetivos dentro de uma década, um ano, um mês, uma semana. Objetivos podem – e devem – ser ajustados conforme nossas prioridades mudem, conforme a realidade mude. E assim que saibamos quais são nossos novos, renovados objetivos, devemos redirecionar nossas energias e ações, de forma que cada um de nossos dias seja dedicado a chegar mais próximo de atingi-los. Quer fator motivacional mais efetivo que saber que fazemos, todos os dias, algo que está alinhado com nossas crenças e que, ao mesmo tempo, nos ajuda a chegar mais perto de nossos objetivos?

Minoru estava certo. Somos, cada um de nós, responsáveis pelas nossas próprias carreiras. Indo um pouco mais além, acredito ser correto afirmar que somos responsáveis pelas nossas próprias vidas.

Campanha-Pela-Vida

 

E o que isso tudo tem a ver com Carnaval? Tem a ver que cabe a cada um de nós mudar o resultado da minha busca no Google. O ano no Brasil não precisa começar somente após o Carnaval. Pelo menos não o meu ou o seu ano. Podemos batalhar pelos nossos objetivos, viver nossos propósitos em cada um dos 365 dias do ano, independentemente daquilo que os outros fazem. Não somos os outros. Somos nós mesmos. Individuais como tem que ser. Não vivemos postando “memes“ sobre cada um cuidar da sua vida, sermos autênticos, o quanto é ser difícil sermos nós mesmos em um mundo cheio de máscaras e tal? Então… que tal começarmos entendendo quem somos nós de fato, o que queremos desta vida e batalharmos por isso, dia após dia, e não apenas depois do Carnaval?

Andre L. Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em Finanças para uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Nunca foi grande fã de Carnaval, talvez por conta de suas preferências musicais, talvez por conta de sua aversão a grandes multidões. Em sua mesa, no escritório, estão fotos de suas duas filhas e três frases afixadas ao lado do monitor, lembrando-o por quê dirige-se ao trabalho de segunda a sexta-feira.

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Imagem: Ambro em FreeDigitalPhotos.net.

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