Uma boa chacoalhada para nos ajudar a crescer

“Mas é possível escrever os principais textos de nossa vida nos momentos mais difíceis de nossa existência.”

– Augusto Cury

Você já passou por momentos difíceis? Estou certo que sim. Uma separação, a morte de um ente querido, enfermidades, desavenças familiares, bullying e outras formas de abuso, desemprego, ou um emprego tão estressante, ou nada interessante, que fez você entrar em desespero só de pensar em passar oito horas de seu dia fazendo algo que detesta. Cada um bem sabe onde a dor bate mais forte…

Em 2008 minha mãe partiu desta, e em 2014 foi a vez de meu pai.

Por vezes achei que seria mais um nos índices de desemprego, e ainda que tenha escapado, a expectativa doeu fundo no peito. Pode parecer fácil dizer isso sem ter enfrentado as amarguras do desemprego, mas acredite, a ansiedade às vezes pode ser tão torturante quanto a realidade. Converse com alguém que sofreu ou sofre de depressão crônica e entenderá isso perfeitamente.

Enfrentei meses seguidos de stress, em diferentes momentos de minha vida profissional, a ponto me perguntar o por quê de seguir obedecendo ao despertador, que insistia em me tirar da cama lá pelas seis da manhã.

Discutir com minha esposa, mediar brigas familiares, acabar abruptamente com uma super banda de rock que na verdade nunca foi, sair da escola escondido no banco de trás do carro do diretor para não tomar uma surra de ex-colegas de classe, dizer não aos “amigos” que me ofereciam um certo pó mágico que me daria forças para vencer qualquer obstáculo…

A lista daria páginas de texto se fosse relacionar todos os momentos difíceis de minha vida, e nenhum foi mais ou menos difícil que o outro – cada momento teve sua importância para a fase da vida em que ocorreram, a ponto de me lembrar deles enquanto escrevo este texto.

“Ah, vá! Coxinha! Vai passar fome ou morar em barraco para ver o que é dificuldade!” – e sim, você está certo em dizer que os problemas acima são um luxo perto de dificuldades vividas por outras vidas muito mais sofridas que a minha! Tive o privilégio de ter tido alguns problemas assim tão simples e superficiais!  E você, que está lendo este texto, também tem uma vida muito melhor que parte significativa da população mundial! Já pensou como é morar em zonas de conflito, como na Síria, por exemplo? Definitivamente, este não é um concurso para eleger quem leva a vida mais sofrida!

O lance é o seguinte: o que fazemos com tudo isso que acontece com a gente?

Existe um conceito em coaching, denominado “crucible moment”. Isso não é exatamente o mesmo que o falso cognato “momento crucial” poderia sugerir, ainda que valha a coincidência . Prefiro traduzi-lo como “hora da verdade” ou “momento-chave”.

Tim Elmore, em seu site Growing Leaders, define “crucible moment” como um desafio a ser enfrentado, ou simplesmente deixado de lado. Pegar ou largar. Um teste severo de paciência e fé.

Trata-se daquele momento em que você decide encarar seus problemas de frente, não importa o tamanho ou gravidade, e tem a coragem de tomar uma atitude para resolvê-los. Ou então decide abandoná-los, deixá-los de lado, pois entende que a batalha não vale a pena ser travada. O que não pode é ficar em cima do muro, reclamando dos problemas da vida e nada fazendo para solucioná-los ou aceitá-los.

Em-cima-do-Muro

 

Sabe quando minha mãe morreu? Então… ela se foi em 2008, mas meu pai esteve entre nós por seis anos mais. Ele completou 80 anos. Fizemos uma festa e até tocamos três ou quatro músicas para ele. Trouxemos a família ainda mais perto dele. E quando ele partiu em 2014, sabia que nada ficou para depois, nada por dizer, nada por fazer, nada pendente. Então… ele se foi em 2014, mas ficaram meus irmãos e irmãs. E meus sobrinhos, netos de meus pais. E seus bisnetos. Então, por mais que perdê-los tenha doído, ainda tem muita gente por aqui, gente que a gente pode amar e respeitar e não deixar nada para depois. Afinal, a gente nunca sabe quem será o próximo a se juntar aos meus pais.

Papai

 

Sabe aquele medo de perder o emprego? Preocupação dói demais… mas preocupar-se não garante emprego nenhum a ninguém! O que fazemos ou deixamos de fazer acerca disso é o que importa. Por que temos medo de perder o emprego e o que podemos fazer para evitar que isso ocorra? E se não pudermos evitar, o que podemos fazer para minimizar os problemas enquanto estivermos desempregados e como podemos aumentar as chances de sermos contratados por outra empresa?

Não suporta mais seu emprego? O que você faz a respeito? Fica reclamando com os colegas de trabalho, com a família e amigos, postando desabafos nas redes sociais? Você realmente acha que isso vai resolver seu problema? Lembre-se: você pode aceitar e seguir em frente, ou encarar o problema de frente e buscar um novo emprego. O mercado de trabalho não está nada fácil? Aceite que a busca poderá levar mais tempo, mas não desista. Não se dê por vencido, se essa é a batalha que quer travar.

Brigas por ciúmes? Vocês podem encarar o problema de frente e terem uma conversa adulta e definitiva. Ou podem concluir que ciúmes é apenas uma entre outras tantas diferenças entre vocês e que desistir da relação – e consequentemente do problema – é o melhor a se fazer. O que não faz sentido é continuar discutindo sem buscar uma solução para o problema. Acredite, ciúmes simplesmente não desaparece com as brigas, não vai embora com desabafos, não sai de dentro da gente porque postamos #pronto_falei no Facebook…

E assim seguimos nossas vidas. Problemas vem e vão, e a gente tem que ter a coragem de encará-los ou abandoná-los. O que não podemos é deixá-los ali, num cantinho do coração, ganhando espaço que deveria estar reservado para aqueles que amamos. O coração é grande, mas problemas não resolvidos têm a estranha capacidade de ocupar espaço demais dentro da gente.

Ah! E não adianta pedir a Deus que solucione seus problemas! Ele pode ajudá-lo a encontrar respostas, se sua fé for verdadeira, mas não vai fazer absolutamente nada que deveria ser feito exclusivamente por você! Meu pai me dizia que rezava para demonstrar gratidão, e não para pedir coisas. Mesmo que você tenha muita fé em Deus, Ele não vai fazer as pazes com nossos inimigos se não estendermos nossas mãos e sinceramente pedirmos perdão, não vai cobrir nossa falta no trabalho quando estivermos doentes, não fará compras no supermercado nem pagará nossas dívidas – porque o dinheiro, essa criação humana, pertence a Cesar e não a Deus – não é isso que diz a Bíblia, afinal?

A gente pode aprender muito com momentos difíceis, desde que tenhamos a coragem de decidir vencer as adversidades ou ignorá-las por completo. Ficar em cima do muro, esperando que os problemas se resolvam por conta própria, não nos levará a absolutamente lugar nenhum.

E você? Você é capaz de tomar a liderança da própria vida, decidindo encarar seus problemas de frente ou isolá-los de forma definitiva? Quer contar seu momento-chave mais memorável, aquele do qual você mais se orgulha? Deixe um comentário aí embaixo, adoraria dialogar sobre momentos-chave com cada um de vocês!

Andre L Braga é coach profissional com formação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em finanças para uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Terminar a banda que nunca começou doeu muito. Fugir escondido no banco de trás de um carro ecoou por dias como se fosse um ato de covardia. E foi com mãos e lábios trêmulos que disse não aos falsos amigos. E foram estes e outros momentos-chave que lhe ajudaram a compreender que é preciso tomar decisões frente aos problemas que a vida nos apresenta.

Texto original publicado em https://growingleaders.com/blog/your-crucible/:

“A crucible is a defining moment; a challenge that each leader gets to rise to or back down from; to face or flee. The dictionary defines it as a severe test of patience or belief; a vessel for melting material at high temperatures.”

 

Imagem: federico stevanin em FreeDigitalPhotos.net.

O Muro em https://www.facebook.com/desenhistaquepensa/.

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