Um mundo melhor começa em casa

Esta série de artigos veio para mostrar que, ao incorporarmos simples hábitos ao nosso dia-a-dia, podemos contribuir para a construção de um mundo melhor. Neste primeiro texto da série, mostramos que a construção de um mundo melhor começa em casa.

 

“Pra viver em família, temos que entender que ninguém muda ninguém… A única pessoa que você é capaz de mudar, é você mesmo!!!”

Claudio Duarte

Sabe aquele dito popular, de que “família a gente não escolhe”? Não poderia ser mais verdadeiro! Você nasce sem o direito de escolher quem serão seus pais biológicos, seus irmãos e outros parentes consanguíneos – pelo menos não nesta dimensão! A gente nasce onde nasce e ponto.

Venho de uma grande família, tanto no sentido quantitativo quanto qualitativo da palavra. Sou o mais novo de nove filhos, tenho mais de vinte sobrinhos e alguns deles já são pais. Cresci com alguns sobrinhos como se fossem meus irmãos, já que a diferença de idade entre eu e eles é bem menor que aquela entre eu e meus irmãos de verdade.

E por conta dessa diferença de idade, tenho irmãs as quais enxergava, quando criança, como se fossem uma espécie de segundas-mães, e irmãos que fui conhecer de verdade apenas depois de adulto. E acabei conhecendo e entendendo meus pais somente depois de grande – não que não os respeitasse ou que não nos déssemos bem, muito pelo contrário, mas o fato de ser o mais novo de nove filhos me deu muita liberdade, e até certo grau de distanciamento de minha família, o que faz de mim alguém bastante suspeito para falar sobre laços de família.

Você tem certeza que quer continuar? Entendo totalmente se, para você, esta introdução tirou todo meu crédito para falar sobre vida em família.

Thinking-meme

 

Já que decidiu continuar, posso lhe dizer uma coisa: esse distanciamento por conta da diferença de idade não significa que minha vida em família era livre de conflitos! Proibia meus sobrinhos de entrarem em meu quarto e mexerem nos meus discos (ou “vinil”, para os hipsters), morria de ciúmes da minha sobrinha mais velha, suportava atitudes insuportáveis de meu irmão, sumia com a Mobilete (uma espécie de bicicleta motorizada) de uma de minhas irmãs, como se tivesse direitos adquiridos sobre ela… Enfim, mais ou menos tudo aquilo que se passa em uma família qualquer…

E assistia, sempre distante, às brigas entre outros irmãos e irmãs e cunhadas e sobrinhos…

Mas a coisa toda mudou conforme a idade foi chegando e levando aos poucos a vida de minha mãe, e pouco depois de meu pai. Incrível o poder que essa tal de morte exerce sobre a gente. Tudo que era pequeno, mesquinho, infantil até, acaba tomando sua correta proporção em nossas vidas, e vai dando mais espaço àquilo que realmente importa. E algumas diferenças pessoais se tornaram menos relevantes, e aquilo que antes era motivo para um evitar ao outro, torna-se então algo mais tolerável. Ninguém precisa virar melhor amigo do outro, assim da noite pro dia, mas pequenas diferenças pessoais se mostram como de fato são: pequenas.

Acho que foi nesse processo doloroso que acabei descobrindo minha família, e posso sentir que muitos mudaram, pelo menos sob minha perspectiva. Não necessariamente para melhor ou pior, mas se tornaram mais transparentes para mim. Óbvio que, em uma família tão grande, tenho maior ou menor afinidade com este ou aquele irmão, mas é incrivelmente recompensador saber que hoje tenho uma visão mais clara de quem realmente são, e saber respeitá-los em sua forma única de ser. Cada um de meus três irmãos e cinco irmãs são únicos, e é isso que os torna pessoas extremamente especiais para mim.

Construir um mundo melhor a partir de nossa casa não tem a ver com mudar nossos irmãos, moldando-os àquilo que acreditamos ser correto. Cada um vive sua vida. Óbvio que o exemplo conta, e muito, e o exemplo de vida de meus pais tem um peso enorme sobre quem sou hoje, em minhas virtudes e meus vícios. Mas respeitarmos cada um dos membros de nossa família, sendo sinceros com cada um deles, não nos escondendo em mentiras e tendo a coragem de dizer o que não está bem e o que me prejudica e o que precisa acabar, e tudo isso de forma adulta e educada – isso é o melhor que podemos praticar em família para ajudarmos a construir um mundo melhor.

Quando aprendemos a fazer tudo isso com aqueles que estão mais próximos de nós, fica mais fácil replicar esse respeito ao próximo, quando interagimos com alguém lá fora, seja com um vizinho, um colega de trabalho, alguém que encontramos na rua ou aquela pessoa que acabou de estacionar o carro na vaga que estávamos esperando.

Aprender o respeito ao próximo ali, dentro de casa, e reproduzi-lo em cada interação interpessoal nesse mundão lá fora: essa é a receita para construir um mundo melhor a partir de nossa própria casa.

Obrigado-vida

Andre L Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bens de consumo. Pensou em escrever alguma coisa aqui para fechar este texto, mas achou mais apropriado usar a mensagem de gratidão de seus amigos do Maguerbes: “Obrigado, Vida”.

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