O que as empresas podem fazer por um mundo melhor?

Esta série de artigos veio para mostrar que, ao incorporarmos simples hábitos ao nosso dia-a-dia, podemos contribuir para a construção de um mundo melhor. No texto de hoje, abordamos o impacto social das empresas.

 

“A paz não existe em algum lugar distante. Ela começa ao nosso redor, no local em que estamos.”

Daisaku Ikeda

Passamos oito horas de nosso dia trabalhando. Quando conhecemos alguém, logo perguntamos o que essa pessoa faz, onde trabalha e assim a conversa segue. Não raramente, perguntamos às crianças o que elas querem ser quando crescerem. E tem aquela pergunta irritante que a Alexandra escuta de seus alunos: “Professora, você trabalha ou só da aula?”.

O trabalho é parte importante de nossa existência. E ainda assim, há muita insatisfação acerca do mercado de trabalho, do chefe, da empresa. E tudo isso por quê? Nosso trabalho não deveria ser um instrumento de tortura continuada, mas parte integrante de uma vida repleta de felicidades. Mas o que mais se vê é um clima generalizado de insatisfação e frustração.

Mais filosófica que cientificamente, podemos dizer que somos feitos de quatro partes distintas, que interagem entre si: nossa essência, nossa individualidade, aquilo que nos distingue de outros seres humanos e nos torna únicos; nossa mente, aquilo que pensamos e que nos move em direção àquilo que queremos; nosso corpo físico, que nada mais é que matéria; e as mais diversas interações entre cada uma de nossas células, transformando matéria em algo vivo.

Assim, para nos mantermos vivos, precisamos cuidar de nosso corpo físico e garantir que as interações entre os mais diversos órgãos funcionem como deveriam funcionar. Precisamos desenvolver nossa mente, estudar, aprender, interagir com os outros. E por meio dessas interações, criamos aquilo que definimos como “eu”, aquilo que representa nossa essência e que nos torna únicos.

Empresas não são diferentes. Elas possuem um corpo físico, representado pelos seus ativos. Elas possuem interações entre seus mais diversos órgãos – chamemos tais interações de normas, processos e procedimentos operacionais. Elas possuem mentes, uma infinidade delas, as mentes de cada um de seus trabalhadores, não importa o cargo ocupado. E elas possuem uma identidade, algo que as tornam únicas – muitos se referem a essa essência, peculiar de cada empresa, como sua missão e visão.

Pessoas podem perder cabelos, ficarem cegas de um olho, perderem os movimentos de seus membros ou sofrerem de doenças debilitantes, e ainda assim continuarem vivas, mantendo sua essência ou modificando-a profundamente, dependendo do tamanho e do impacto de tais mudanças em seu corpo físico e em sua mente, em seu “eu”. Da mesma forma, empresas podem perder vários empregados de uma só vez, um incêndio pode destruir suas instalações físicas, podem perder um cliente antigo para a concorrência, e ainda assim continuarem operando. Ou então podem perder um único empregado-chave e passar por uma profunda transformação em sua visão e missão. Tudo vai depender do impacto das mudanças sobre a essência da empresa, sobre seu “eu” empresarial.

E o que isso tudo tem a ver com o papel das empresas na construção de um mundo melhor? Tem a ver que as empresas somos nós, independentemente do cargo ou função que executamos! Cada célula de nosso corpo tem uma função, e basta uma única célula para que tumores se alastrem e, eventualmente, a doença roube nossa vida. Da mesma forma, uma única pessoa fora de sintonia tem o poder de destruir toda uma cultura organizacional! Não podemos permitir que profissionais tóxicos se reproduzam em nossas corporações. Não podemos nos deixar contaminar por profissionais mal-intencionados. E podemos fazer nossa parte pelo bom funcionamento das diversas interações entre as diversas áreas da empresa, evitando a formação de silos e comportamentos não-colaborativos.

Se tanto criticamos o “trote” nas universidades, por que eles continuam ocorrendo? Se não gostamos quando nossos chefes gritam conosco, nos rebaixam e nos criticam na frente de nossos colegas, por que fazemos exatamente o mesmo quando nos tornamos chefes? Se ficamos irritados quando o presidente da empresa passa pelo nosso departamento sem dizer um simples “oi”, por que achamos natural que não saibamos o nome da “moça da faxina” ou da “tia do cafezinho” ou do “garoto do xerox”? Se nos indignamos com Jose Mayer, por que aceitamos que o executivo engravatado assedie sua secretária? Na verdade, esta pergunta eu roubei da Thais

O fato é que nos deixamos contaminar pelos vírus e bactérias que invadem nossa empresa, a qual um dia foi um organismo saudável, onde todos tinham prazer de trabalhar, mas que atualmente nos sufoca, oprime, deprime. Reclamamos do mercado de trabalho, aceitamos trabalhar por pouco dinheiro – porque o mercado não está fácil – e depois reclamamos das condições de trabalho. Mas por quê o mercado tem tanto poder? Simplesmente porque damos poder ao mercado. Porque não tratamos a doença em tempo. Eis a bola-de-neve na qual nos metemos: pessoas desesperadas viram trabalhadores ideais e cidadãos desorientados.

Pessoas-Desesperadas

 

Já ouvi isto diversas vezes, de executivos de outras empresas, atuando em diferentes lugares do mundo, mas principalmente em locais onde a mão-de-obra é barata e pouco qualificada: “Vamos ter que aumentar os salários, pois temos falta de mão-de-obra qualificada e os poucos que poderiam fazer o serviço, não estão dispostos a trabalhar pelo valor que costumávamos pagar.” E isto é fantástico! Por um lado, mostra total falta de comprometimento, por parte de empresas, Governo e a sociedade em geral, em qualificar pessoas para desempenharem o trabalho. Um acha que é papel do outro, e por fim ninguém faz nada. Mas por outro lado, mostra que aqueles que se qualificaram, esses têm o poder de mudar a dinâmica de mercado! O mercado somos todos nós, assim como as empresas e os Governos e a sociedade somos todos e cada um de nós! Não existe diferença, não existe “eu” e “eles”, todos temos um papel a desempenhar e nunca devemos subestimar nosso poder de influência!

Faça um pequeno experimento e comprove. Deixe um pequeno espinho fincado na planta do pé e saia para caminhar, e depois me diga se realmente algo pode ser pequeno demais para ser notado! Agora retire o espinho e sinta a diferença! Experimento semelhante se aplica a quem já teve pedra no rim…

Todos temos um papel a desempenhar, não importa quão pequenos (erroneamente) acreditamos ser, e ajudamos a mudar o mundo (para melhor!) ao agirmos com dignidade e respeito nas empresas para as quais trabalhamos.

Pense no trabalho como um relacionamento afetivo. Escolha a empresa segundo suas crenças, e não apenas porque esta paga melhor que aquela. Busque afinidade de pensamentos. E se as coisas não estiverem funcionando bem, tente mudá-las. E se comportamentos abusivos persistirem, não aceite a dor, retire os espinhos de seus pés (ou expila as doloridas pedras de seu rim) e siga caminhando, em outra empresa, mais alinhada com aquilo que você acredita ser uma relação prazerosa. E observe seu comportamento, para que você não venha a se tornar aquilo que mais lhe desagradava na empresa ou chefe ou colega de trabalho anterior.

Andre L. Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em Finanças para uma multinacional de bens de consumo. Acredita que podemos ajudar a construir empresas que, por sua vez, podem contribuir de forma efetiva para um mundo melhor.

 

Imagem: jannoon028 em FreeDigitalPhotos.net.

Pessoas Desesperadas em Meu Professor de Historia (pagina do Facebook).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.