Governos e a construção de um mundo melhor

Esta série de artigos veio para mostrar que, ao incorporarmos simples hábitos ao nosso dia-a-dia, podemos contribuir para a construção de um mundo melhor. Nesta semana, recheada de debates políticos, mostramos como Governos podem contribuir para a construção de um mundo mais humano.

“Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Que país é esse?”

Renato Russo

Glen Greenwald, em seu artigo “Democratas, Trump e a perigosa recusa em entender as lições do Brexit“, menciona que “apoiadores do Brexit e de Trump foram chamados de primitivos, estúpidos, racistas, xenofóbicos e irracionais” – mas eles, ainda assim, foram vitoriosos.

No Brasil, reelegemos Dilma, para logo depois tirá-la do poder, substituindo-a por Temer, vice-presidente eleito pela “Coligação com a Força do Povo”. Defensores de Temer acusam a esquerda de ignorante, estúpida, irracional e bandida. Defensores de Dilma acusam a direita de elitista, golpista, racista, xenofóbica, burguesa e irracional. Olhando essa briga do lado de fora, fica claro que os ingredientes já mostravam que o sabor dessa pizza não poderia ser agradável! Elegemos uma chapa formada por partidos defendendo agendas totalmente distintas: PT, PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PC do B e PRB. Juntamos a agenda dos trabalhadores com a de republicanos, progressistas, social-democratas, comunistas, e daqueles que lutam por uma nova ordem social, acreditando que isso daria em algo positivo, impulsionado pela diversidade e pluralidade de opiniões. A verdade é que eles se juntaram simplesmente para obter mais tempo de propaganda eleitoral gratuita, pouco importando as diferenças ideológicas!

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E não vamos nos esquecer do Tiririca. E do Frank Aguiar. E do Romário. E do Dória. E do Bolsonaro. E de tantos outros que elegemos mais pela força da figura pública na mídia que por aquilo que esperamos que sejam capazes de desempenhar na prática. E sim, alguns podem até ter nos surpreendido de forma positiva, mas o bom-senso não deveria ser substituído pela força da mídia. Acontece que, nos dias de hoje, as coisas não são bem assim. Somos todos escravos da imagem construída pela mídia, e baseamos nossas decisões – inclusive nosso voto – naquilo que vemos na TV e nos transmite algum tipo de emoção cativante.

Trump mexeu com o desejo americano de voltar a ser uma grande potência mundial – como se algum dia realmente tivesse deixado de sê-lo, economicamente falando. Brexit ganhou força através dos discursos inflamados e intelectualmente vazios de Boris e seus aliados políticos, do desejo do britânico em ser dono do próprio nariz, sem interferências de França e Alemanha, do risco de ser obrigada a dar asilo aos refugiados da Síria, dentre outros perigos cuidadosamente construídos no discurso pró-Brexit. E Dilma, Temer, Tiririca, Bolsonaro e outros políticos no Brasil tem força e voto por conta da popularidade que construíram através dos programas políticos na TV, das polêmicas cuidadosamente planejadas, no melhor estilo Big Brother, das piadas prontas sobre a classe política em geral, da crítica ácida a antiga classe política dominante e por meio de outras atividades midiáticas desenhadas para engajar eleitores em seu favor.

Governos não farão absolutamente nada para construção de um mundo melhor – exceto se estivermos falando do mundo dos próprios políticos, de seus familiares e amigos e empresas financiadoras de campanha. A agenda dos políticos que elegemos não necessariamente inclui ações que irão beneficiar a população em geral. Suas agendas estão normalmente voltadas aos seus próprios interesses, sejam eles dinheiro, a continuidade no poder, popularidade e fama ou outros interesses quaisquer, que não têm nada a ver com o bem geral da nação.

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Enquanto seguirmos elegendo políticos com base no apelo emocional de suas campanhas políticas e exposição midiática, estaremos perpetuando o status quo, e a insatisfação geral que sentimos com relação a nossos governantes simplesmente não irá mudar.

Enquanto acharmos que uma passeata a cada três meses, contrastada por outra passeata da turma que pensa diferente da gente e luta por ideais completamente opostos aos nossos, irá mudar alguma coisa, continuaremos reclamando do Governo e pondo a culpa naqueles que pensam diferente da gente. E essa briga imbecil entre o povo que se intitula de direita e os de esquerda, entre os que chamam um ao outro de coxinha ou de petista, só serve para beneficiar aos governantes, aqueles que usualmente não têm a menor preocupação ou compromisso com os que saem às ruas, em defesa de seus nomes, ou do nome deste ou daquele partido. E uma nação dividida é o sonho de consumo dos governantes que não tem real compromisso com a construção de uma pátria mais justa e igualitária.

Para que Governos possam realmente contribuir para a construção de um mundo melhor, devemos primeiro nós, eleitores, contribuirmos para a construção de um governo melhor! Eleitores de esquerda e direita têm certas agendas em comum, e deveriam juntar forças para reivindicar tais mudanças. A reforma da previdência foi proposta pelo Governo que aí está; discutir se isso foi ideia do Temer ou se Dilma já havia discutido isso durante a campanha não necessariamente faz dessa bandeira uma prioridade dos eleitores. A flexibilização das leis trabalhistas, seja uma medida importante ou não para o futuro econômico do país, pode não ser tão prioritária quanto a reforma política, o estabelecimento de regras mais rígidas de financiamento de campanha, a extensão da lei da Ficha Limpa aos partidos políticos e sua aplicação irrestrita, dentre outras medidas que mudariam a dinâmica do jogo partidário, redirecionando políticos aos interesses do povo.

Não teremos governantes desempenhando papel ativo na construção de um Brasil melhor, se não fizermos nossa parte, como eleitores, e exigirmos que políticos atuem segundo os planos de Governo que lhes renderam suas eleições. E, claro, devemos elegê-los segundo seus planos de Governo, e não por conta de suas aparições midiáticas e impecáveis produções marqueteiras transmitidas em horário eleitoral gratuito. Devemos votar em políticos e suas propostas, não em marqueteiros e suas fabulosas campanhas midiáticas. Ou então, melhor eleger artistas, cantores e apresentadores de programas dominicais, deixar os políticos profissionais de lado e torcer para que, pelo menos assim, nosso pais tenha alguma audiência nas redes de TV do exterior. E os problemas da vida real? Esses… ah… esses a gente não precisa transmitir.

Andre L Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bens de consumo. Teme pelas pré-candidaturas de Lula e Bolsonaro à corrida presidencial, principalmente por entender que, infelizmente, ambos teriam grandes chances de vencer as eleições. Tal qual Trump, que não teve oponente a sua altura. Tal qual Brexit, que não teve um Primeiro Ministro a altura de Boris e seus ideais de autonomia frente ao bloco econômico europeu. E que um dia o Brasil tenha jeito.

Imagem: Blog O Povo.

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