Desejo de conhecer o mundo

Esta série de textos é sobre desejos e seu poder de promoção ou de auto-sabotagem. Neste texto, descrevemos aquele desejo incontrolável de viajar, de conhecer e desbravar o mundo.

“E é só você que tem a cura pro meu vício

De insistir nessa saudade que eu sinto

De tudo o que eu ainda não vi”

– Renato Russo

Qual é seu principal desejo? Aquele que, se descuidado, acaba te dominando, tornando-se obsessivo até? O meu desejo mais forte, que precisa ser cuidadosamente vigiado para que não se volte contra mim, atende pelo nome de Wanderlust.

Wanderlust é um termo derivado do alemão, que descreve um forte desejo de caminhar, de ir a qualquer lugar, em uma caminhada que possa levar ao desconhecido, a algo novo, de viajar.

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Nasci em Americana, uma cidade com pouco mais de 200 mil habitantes, no quilômetro 125 da Rodovia Anhanguera. Aos cinco anos de idade, nos mudamos para Barretos, e logo depois para Marília. Acabei voltando para Americana, e dali para Campinas, e de Campinas para o Velho Mundo.

Meu trabalho inclui visitas de negócios a fábricas, centros logísticos e escritórios comerciais ao redor do mundo. Combinando trabalho e férias, somam-se até agora 38 países visitados, em quase todos os continentes. Ainda falta desbravar o Novíssimo Continente, mas a distância do Velho Mundo até Australia e Nova Zelândia não é nada animadora, tanto em termos de tempo quanto de custo, para uma eventual viagem de férias com a família.

Viajar sempre esteve presente em meu DNA. Faz parte da minha existência. E viajar significa, para mim, muito mais que deslocar-me fisicamente de um lugar a outro e tirar foto de tudo quanto é coisa e gente. Viajar é vivenciar novas culturas, explorar novas maneiras de enxergar o mundo, obter um mínimo de entendimento acerca de costumes locais.

E isso vale tanto para viagens a passeio, como para viagens a trabalho. Posso nem sempre ter o privilégio de aproveitar minhas viagens de negócios para conhecer pontos turísticos. Já estive diversas vezes na Índia, por exemplo, e nunca fui ao Taj Mahal, nem nunca vi o famoso Rio Ganges. Ainda assim, sempre busco aproveitar ao máximo as oportunidades para aprender um pouco mais sobre a cultura local.

Entender como o povo de um determinado local pensa. O que comem no dia-a-dia, não o que oferecem aos turistas. O que fazem nas horas vagas. Como celebram datas importantes. O que valorizam. Ao que não dão o menor valor. O que os motiva a sair da cama, todas as manhãs, e seguir para o trabalho. Como encaram o trabalho, se prazer ou obrigação, se algo extremamente importante para realização pessoal ou apenas uma obrigação social a cumprir. Qual o valor que atribuem à família. O que fazem nas horas vagas. E esse descobrir sócio-cultural é o que mais me encanta em cada uma das minhas viagens, seja para aquela pequena ilha na Espanha, seja para aquela metrópole recheada de problemas sociais na Nigeria.

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Poderia passar horas descrevendo minha visão acerca das diferenças culturais entre latinos e asiáticos, comentando sobre sabores inusitados, como os pés de galinha ao molho agridoce no café-da-manhã na China, os preás assados vendidos no meio da rua na Bolivia ou as lagartas assadas saboreadas como petisco na África do Sul, ou ainda descrevendo verdadeiras lendas urbanas, como as gangues da Nigeria que criam hienas para devorarem corpos daqueles que venham a assassinar. Mas nada disso faria sentido: primeiro porque você, caro leitor, não veio aqui para ler histórias sobre minhas viagens pelo mundo; e, mais importante, porque cada pessoa vivencia a experiência de viajar de formas distintas, e minha forma de curtir cada viagem pode ser totalmente diferente da sua.

“Mas você já conheceu tantos lugares, e eu nunca nem sequer saí da minha cidade. Não dá para comparar.” – engana-se você ao pensar assim! Tem muita coisa ainda por ser descoberta logo ali, do lado da sua casa! E no centro da sua cidade. E no bairro do outro lado da cidade. E naquela cidadezinha pitoresca, quase uma vila, parada no tempo, que você pode ir tomando um ônibus de linha. Todos esses lugares não explorados tem muito a nos ensinar, e não é preciso tomar um avião ou passar horas na estrada para chegar-se ao novo. O novo está aí do seu lado, esperando para ser descoberto, insinuando-se para você, tentando te seduzir. Basta permitir-se. Deixar que seus sentidos sejam tocados pela experiência que te aguarda, ansiosa, doida para te ensinar um montão de coisas. E sempre se pode aprender algo novo com tudo isso.

Quer se perder em desejos? Perca-se então num mundo de descobertas, do tipo que essa tal de wanderlust tem a nos oferecer. Seja do outro lado do mundo, seja naquele cantinho da sua cidade que você ainda não teve a chance de desvendar.

Andre L Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bens de consumo. De todas as experiências vividas em viagens, a mais marcante foi, talvez, uma das mais simples: comprar um peixe direto de um barco de pesca, em uma vila próxima a São Luiz, no Maranhão, e saboreá-lo na casa do próprio pescador, junto com sua família, ouvindo sua filha de uns oito anos falando sobre o que tinha aprendido na escola naquele dia.

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