Desejo-lhe tudo de bom!

Esta série de textos é sobre desejos e seu poder de promoção ou de auto-sabotagem. Neste último texto da série, exploramos o mais nobre de todos os desejos: o desejar o bem a todos.

“Você só se torna melhor que as outras pessoas quando se doa um pouco de si para ajudar o próximo.” 

Cezar Fruhauf

Estive recentemente no Brasil, em breve visita de negócios. Para minha tristeza – e mais ainda para a tristeza de seus familiares – o pai de uma grande amiga se foi naquela semana. Tive a chance de vê-lo pela última vez, dar abraços bem fortes e demorados, daqueles silenciosos e que só acabam quando realmente têm que acabar, em sua esposa e filhos, e rezar por ele e por todos aqueles que ficam por aqui.

Enquanto acompanhava em silêncio aqueles que distraíam seus pensamentos com um cigarro, imaginava uma situação completamente inusitada, na qual o pai da minha amiga se encontrava com o meu pai em outra dimensão. Eles, Norberto e Adail, são ambos figuras bastante peculiares, daquelas que emanam energias positivas, mas de intensidade e frequências tão diferentes que, só de imaginar a cena normalmente inimaginável, um sorriso tímido brotou no meu rosto, logo consumido pelas lágrimas de quem volta para casa e deixa uma amiga para trás, sem poder fazer muito mais de concreto para ajudá-la naquele momento. Desejo a ela, a seus irmãos e a sua mãe, que encontrem conforto nas boas lembranças que ficarão para sempre.

Naquela mesma semana, a filha de meu sobrinho, de pouco mais de um mês de vida, teve febre. Exames, monitoramento constante, e a preocupação natural de minha irmã com relação à saúde de sua netinha. Minhas outras irmãs, ambas com formação em enfermagem, diziam não haver nada com o que se preocupar, com base no quadro clínico apresentado. E, de fato, elas estavam certas. E tudo voltou ao normal. Mas eu, como leigo e como pai, me preocupei e me solidarizei com minha irmã. E só me acalmei quando a febre baixou. Desejo a minha sobrinha-neta uma saúde de ferro e muitos anos de uma vida pela frente.

Um colega veio falar comigo. A situação não é nada boa para ele, do ponto de vista profissional. As chances de perder o emprego são reais, e está em busca de uma nova oportunidade no mercado. Me propus a ajudá-lo, e espero que possa encontrar um novo desafio, onde suas habilidades profissionais sejam valorizadas. Desejo-lhe sucesso em sua vida profissional e felicidade em sua vida pessoal.

É incrível como, ao nos colocarmos no lugar dos outros, somos capazes de sentir um pouquinho daquilo que eles estão sentindo, nos solidarizarmos com suas felicidades e agonias, partilharmos um pouco de nossa energia com eles, ao mesmo tempo que recebemos, em retribuição, uma carga enorme de energia, que nos alimenta e nos dá forças para seguir em frente. Acho que é assim que se define “empatia”, ou pelo menos é assim que enxergo o termo. E mais importante que encontrar a palavra certa para descrever esse contexto, é reconhecer que esse desejar algo de bom aos outros, de forma genuína, é poderosíssimo, capaz de nos ensinar verdadeiras lições de vida e nos trazer uma felicidade serena e duradoura.

Por um lado, sofremos com aqueles que sofrem, sentimos uma pequena fração de suas dores e aprendemos, com isso, como viver aquela dor, quando nos depararmos com o problema que hoje é dos outros. Aprendemos com a dor dos outros, e nos preparamos melhor para encararmos adversidades similares no futuro. E, por outro lado, ao desejarmos o bem ao próximo, alimentamos algo de bom dentro da gente, que nos traz uma paz serena, uma coisa boa de se sentir.

Talvez essa seja a melhor tradução de Boddhisatva, conceito budista que trata do altruísmo, da felicidade que advém de ajudar ao próximo. Quando desejamos tudo de bom aos outros, e quando o fazemos de coração, aquela força que compartilhamos se converte em um estado real de felicidade. Não numa alegria eufórica e volátil, que pode ser apagada por pequenas frustrações diárias, mas numa alegria serena da alma, que nos faz brotar sorrisos tímidos no canto da boca, ou então aqueles largos sorrisos que vão de canto a canto.

Desejo a você, caro leitor, tudo de bom nesta vida. Você vai ter dias ruins, não se iluda. A vida é dura. E porque a vida é dura, desejo que seja capaz de desejar o bem ao próximo, de forma genuína, e que possa tomar emprestado um pouco da dor que o outro sente, e que seja capaz de aprender algo nesse processo. Assim, quando chegar a sua vez de encarar os desafios que a vida  irá te trazer, desejo que você tenha um pouco daquela dor na memória, e assim possa encará-la de frente e superá-la mais facilmente. E desejo ainda que você tenha um amigo de verdade, que possa te apoiar quando esse momento chegar, porque isso fará toda a diferença.

Andre L Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bens de consumo. Para ele, empatia e simpatia são coisas distintas: pessoas podem ser extremamente simpáticas, mas ainda assim não serem empáticas, não sendo capazes de se conectar de verdade com os outros. Mas quando você aprende a se conectar com o próximo, não há dor que resista, naquele momento, ao calor de um abraço sincero. Sinta-se abraçada, sempre, Bá!

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