O amor verdadeiro é uma experiência da alma

Esta série de textos aborda nossa incessante busca de um sentido para a vida. Neste texto, mostramos que existe uma diferença enorme entre amar e tentar convencer-se de que ama alguém.

“O amor não tem nada a ver com a ordem social. É uma experiência espiritual mais elevada do que aquela do matrimônio socialmente organizado.” 

– Joseph Campbell

Enquanto escrevia este texto, escutava o barulho enlouquecedor de uma casa vazia. Esposa e filhas estão de férias e fiquei em casa sozinho. Três semanas, das quais a primeira se completa no exato momento em que escrevo este primeiro parágrafo.

“Hoje é o dia, eu quase posso tocar o silêncio. A casa vazia…”

Tudo que Vai – Capital Inicial

Você já viveu essa experiência do vazio? Do faltar alguma coisa, da ausência que pode ser sentida em um ambiente? E pensou na liberdade que esse ambiente vazio traz pra você? Seguindo na pegada do Capital Inicial, O que você faz quando ninguém te vê fazendo?

A casa vazia pode ser sinônimo de liberdade, de sofrimento pela ausência ou de apenas um momento consigo mesmo, um momento de reflexão e auto-conhecimento, e esse vazio será logo preenchido por abraços e beijos pra matar a saudade. O significado que o vazio tem para você pode ser a resposta para a pergunta lá em cima, nas letrinhas miúdas: você realmente ama, ou apenas tenta se convencer de que ama alguém?

IMG_0445

 

Minha existência não depende da mulher com a qual escolhi compartilhar meus momentos. Nem das filhas que tivemos juntos. A vida delas tampouco depende da minha. Eu vivo sem elas – pode até doer na alma, mas não mata o corpo físico. E elas vivem sem mim. Mas escolhemos viver juntos, escolhemos compartilhar nossas vidas, nossas alegrias, nossas dificuldades, nossos momentos chatos, nossos momentos quase insuportáveis, nossos momentos sublimes, nossos momentos de carinho fraterno. E quando as meninas já estão dormindo, compartilhamos ela e eu nossos momentos mais íntimos – e às vezes o simples ato de assistir um seriado na TV, juntos, é algo magicamente íntimo, excitante, prazeroso mesmo! Nunca menospreze os momentos simples, mas tampouco deixe de nutrir os que aguçam os sentidos.

Nos conhecemos em um show do Capital Inicial, quase nos esquecemos de trocar telefones, não nos vimos por mais de um ano e, quando finalmente nos encontramos, tivemos a certeza de que havia algo mais forte que aquela simples atração física e alguns beijos trocados naquela noite em Araras. E não demorou seis meses para morarmos juntos. E não demorou três anos para nos casarmos. E logo veio a primeira filha. Um pouco mais e veio a mais nova. E encaramos trocas de empregos e de países algumas vezes, sempre juntos, e todas as decisões foram sempre tomadas em conjunto. Somos como uma dupla de vôlei de praia, como já mencionei em outro texto.

“O verdadeiro matrimônio é aquele que brota da descoberta, da identificação com o outro, e a união física é apenas o sacramento pelo qual isso é confirmado. A coisa não se dá no sentido contrário, do interesse físico que depois se torna espiritualizado. Começa com o impacto espiritual do amor.”

– Joseph Campbell

E qual o segredo por trás de tudo isso? Uma conexão espiritual, acredite você naquilo que quiser acreditar e entenda você aquilo que quiser entender sobre o que vem a ser uma conexão espiritual. A meu ver, trata-se de uma combinação de temperamentos, atitudes, maneiras de interagir com o mundo, que agrega valor mútuo. Não se trata de complementar, porque nem ela, nem eu, nos sentíamos vazios antes de nos conhecermos. Não somos a “cara metade” um do outro. Ela é uma mulher inteira, e para minha sorte essa mulher inteira divide comigo casa, mesa, cama, filhas, conversas, discussões, choros, alegrias, ataques de ira, inseguranças, risos desenfreados – tudo isso e muito mais. E eu com ela. E ao dividirmos nossas vidas um com o outro, parece que nosso eu se torna maior. É um dividir para multiplicar. E assim a gente cresce juntos. E assim a gente se transforma em versões aprimoradas de nós mesmos.

IMG_1606

 

“Coração e corpo. Mente e alma. Eu e você.”

– Verena Braga

Quando encontrar seu amor, caso ainda não o tenha, pergunte-se se a conexão entre vocês é da alma, antes que da carne. Que a conexão é do tipo que aprimora, não que consome. Que vocês juntos geram uma sinergia, uma energia criadora, e não uma disputa de poder e controle ou de carência e dependência. Se encontrar a conexão certa, aquela que agrega para ambos os lados, você saberá o que fazer para manter a chama acesa entre vocês. Cada conexão funciona de maneira diferente, não tem manual de instrução. E se a conexão que funciona for aquela com você mesmo, não tem problema! Como dizem por aí, para amar alguém, a gente precisa primeiro aprender a amar a nós mesmos.

Andre L Braga é coach profissional com certificação internacional pelo Instituto Holos, embora não exerça tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bens de consumo. Programou este texto para ser publicado dias antes do aniversário de sua conexão espiritual. No momento em que este texto é publicado, estamos contando as horas para nossa viagem de volta pra casa, depois das férias de julho e agosto. Feliz aniversário, “my wonderwall” !!! E que nossa conexão espiritual continue agregando valor às nossas vidas, que são independentes, mas que crescem exponencialmente quando estamos juntos e nos doamos um pouquinho um ao outro, e mais um bocadinho às nossas filhas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.