Sua infelicidade é do tamanho da sua arrogância

“A arrogância que nos leva a acreditar que somos superiores aos outros, tem origem no medo de sermos inferiores.” 

Mark W. Baker

Você certamente já vivenciou uma ou outra cena como estas. O médico que menospreza a equipe de enfermagem, que a critica em público, que faz questão de deixar claro “quem cursou Medicina e quem não passou e ’teve’ que fazer Enfermagem”. O juiz trabalhista que adia audiência com o trabalhador rural porque este não se trajava de forma adequada – calçava chinelos ao invés de sapatos. O vice-presidente de uma empresa que deixa bem claro que sua secretária é uma incompetente por não ser capaz de resolver problemas simples como o ar-condicionado que não está na temperatura certa, ou o sistema de teleconferências que não funciona por questões técnicas, ou por quaisquer outros problemas que não têm absolutamente nada a ver com o trabalho dela – e que ela até poderia dar aquele passo a mais e tentar resolver, desde que houvesse um pouco mais de respeito e consideração no trato.

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Exemplos não faltam para ilustrar a arrogância que enxergamos nos outros. Mas e quando a arrogância está bem aqui, criando raízes em nosso próprio peito? Conseguimos enxergá-la com a mesma clareza que a vemos nos outros?

Entre Auditoria e Finanças, já são mais de duas décadas de trabalho, e os mais diferentes tipos de chefes no caminho. Chefes tiranos. Chefes “bonzinhos”. Chefes que ajudaram a formar o profissional que hoje sou. Chefes que nem me lembro mais como eram. Mas alguns em específico me marcaram, por conta das relações conflitantes que tivemos. Foram os chefes que não conquistaram meu respeito.

Sabe quando você se pega perguntando “como aquela pessoa pode estar naquela posição, sendo assim tão ignorante?” Ou então “como alguém pode saber menos do que eu, e ainda assim ser meu chefe?”

Os momentos mais improdutivos de minha carreira profissional foram aqueles em que tive um chefe assim. Foram incansáveis batalhas para mostrar quem era o mais forte: aquele que tinha autoridade, ou aquele que tinha conhecimento. Desnecessário mencionar que, invariavelmente, fui eu quem saiu perdendo. Não porque quem manda (alguns de meus ex-chefes) decidiu livrar-se daquele que sabe (meu “eu” em algum lugar no passado). Mas porque tais conflitos consumiam minhas energias, me puxavam para o inferno de meu próprio ego e se alimentavam de minha própria arrogância.

“Uma pessoa arrogante será sempre vencida pelo medo quando confrontada por um inimigo mais forte.”

– Nichiren Daishonin

Esse é o retrato da arrogância, do saber tudo mais que os outros, do irritar-se ao ter que ensinar tudo o que sabe aos outros, e principalmente ao chefe, que é quem, na ótica do arrogante, deveria ter amplo conhecimento acerca do trabalho executado pela sua equipe. E é aí que a arrogância encontra a inveja e a ignorância. Ninguém precisa saber de todos os detalhes técnicos para ser o chefe. Liderança e gestão de pessoas requerem conhecimentos outros que os técnicos. E é por isso mesmo que bons gestores contratam excelentes técnicos!

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Um bom gestor não precisa saber detalhes acerca de tudo; ele precisa de excelentes profissionais, nos quais possa confiar, para executarem aquelas tarefas que, certamente, sabem fazer melhor que seus chefes! Ninguém precisa de um médico que saiba fazer o trabalho de um enfermeiro de forma mais apropriada. Ou de um Diretor de Manufatura que saiba operar uma máquina de forma mais eficiente e eficaz que um líder de linha de produção. Ou de um Diretor Financeiro que saiba mais sobre Contratos de Câmbio que seu Gerente de Tesouraria. É para isso que contratamos profissionais especializados em determinadas áreas.

Da próxima vez que pensar que seu chefe sabe menos que você, e que isso é um absurdo, e que ele não merece estar onde está etc etc etc; elimine tais pensamentos de sua mente, não deixe que a inveja, a ignorância e a arrogância se alimentem de suas energias, e lembre-se que você está onde está porque é mais qualificado que qualquer outra pessoa, inclusive seu próprio chefe, para desempenhar aquela função. E desempenhe-a bem. Com qualidade. E sinta orgulho de fazê-la melhor e melhor, sempre. E sinta-se bem ao explicar o que faz a quem quiser sabê-lo. Não seja você o rei que mendiga atenção de seus súditos, ou o cantor que critica outros gêneros musicais porque vendem mais, ou o escritor que acha que todos os outros são plágios mal-(in)formados sobre as profundas verdades da escrita.

E se a pessoa não entender da primeira vez, não deixe seus pensamentos rotulá-la de ignorante. Se alguém não entende o que você está explicando, é porque você não o está explicando bem. Mude seus métodos. Seja mais claro. Seja didático. Seja transparente. Cabe apenas a você, e a mais ninguém, fazer com que o mundo entenda e dê valor àquilo que você é capaz de fazer. Tempos depois, você se lembrará disso e contratará pessoas que sabem mais do que você, para desempenharem papéis cruciais, como parte da equipe que, agora, é você quem lidera.

Andre L Braga tem formação em Coaching & Mentoring pelo Instituto Holos, mas não exerce profissionalmente tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Mais uma vez, admite que sua esposa estava certa, sempre que alertava para suas posturas arrogantes – que não podia enxergá-las na época, mas que agora são tão transparentes quanto o ar que respiramos. E sabe que a arrogância nunca se vai por completo, ela está sempre ali, apenas esperando ser alimentada para voltar a dar as caras.

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