Não é seguro cruzar o deserto sem GPS

Esta série de textos semanais, inspirada no livro “A Agenda”, de Michael Hammer, propõe formas de nos destacarmos em tudo aquilo que fazemos. Neste texto, defendemos a lógica do medir para melhorar.

“O que pode ser medido, pode ser melhorado.” 

– Peter Drucker

Sou um zero à esquerda em termos de localização geográfica. Se houver a menor chance de me perder no trânsito, esteja certo que isso é o que vai acontecer! O Mauro Fidelis já dizia que, se eu tivesse que ir de São Paulo a Campinas de carro, tomaria a Rodovia Anchieta, desceria até o litoral, subiria pela Tamoios, tomaria a Dom Pedro até o fim, e então voltaria para Campinas pela Bandeirantes, entrando na cidade pela estrada de Viracopos. Não posso dizer que seja exagero…

Um bom GPS – o famoso “Tom-Tom”, ou então “Waze” – é essencial para mim. Não sou capaz de dirigir sem um navegador. E mesmo com ele, ainda sou capaz de passar aquela saída que o GPS vinha dizendo que deveria tomar com pelo menos uns 500 metros de antecedência!

O mesmo acontece com empresas. Sem um bom sistema de navegação assistida, empresas não são capazes de cruzar o deserto e chegar ao seu destino final. Pelo menos não em segurança. Não a frente de seus concorrentes.

O problema é que acreditamos que indicadores de performance são de responsabilidade da área financeira. Coisa de contador. E isso é um grande equívoco! Voltando ao “cruzar o deserto”, imagine-se um piloto de rali, competindo o famoso Paris-Dakar. Você pilota sozinho, ou alguém do seu time tem a função de efetuar leitura do GPS e indicar o caminho? Pois bem. A área financeira pode até ser quem efetua a leitura do GPS, mas ainda cabe às áreas operacionais a função de conduzir os negócios, com base nas informações que vêm da controladoria!

Mas não é tão simples quanto parece. Se o navegador demorar para informar ao piloto onde e quando virar à esquerda ou direita, acabarão saindo da rota. Se o navegador sobrecarregar o piloto com informações real-time sobre pressão e espessura dos sulcos dos pneus, temperatura externa e interna, quantidade de grãos de areia dispersos no ar durante aceleração e se é noite ou dia na face ocidental de Marte, provavelmente não estará contribuindo para uma condução mais eficiente do veículo, sem contar os custos envolvidos na captura e processamento de dados.

“Muito do que chamamos de gerenciamento consiste em fazer com que seja difícil para as pessoas trabalharem.”

– Peter Drucker

A gente tem que medir o que tem que ser medido. No momento em que as coisas acontecem, não depois que os números estão fechados e consolidados – a medição pela controladoria tradicional tem foco em explicar o que aconteceu, quando deveria ajudar a guiar os negócios para o que vai acontecer. É como se o GPS dissesse: “Há cinco minutos, você deveria ter saído à direita.”

Oscar Nilsson

Na nossa vida, não é nada diferente. É por isso que fazemos exames preventivos de saúde. É por isso que não esperamos um infarto para então adotarmos hábitos mais saudáveis – bem, não deveríamos esperar, mas… É por isso que não esperamos o “mozão” decidir terminar o namoro para então nos perguntarmos o que é que estava errado – apesar dos longos momentos de silêncio incômodo que rodeavam a relação quando vocês estavam juntos.

Óbvio que você pode depositar toda a responsabilidade pela medição de sinais vitais a terceiros. Você pode esperar fugir do exame de toque porque “ele” está funcionando bem, como se houvesse qualquer ligação entre uma coisa e outra. Você pode continuar comendo errado, fumando e bebendo como se o mundo fosse acabar hoje, vendo sua barriga crescer e dizer, com orgulho, que “são anos de investimento” e seguir fazendo tudo isso, até que o médico que te trouxe de volta depois de um enfarto te diga que tudo isso está mal. Você pode assistir, calado, à deterioração de seu relacionamento, e esperar até que o outro lhe diga que não dá mais. Você pode não querer ler sinais, assumindo que é responsabilidade “da controladoria” fazer isso por você. Muito bem, a escolha é sua. Mas não reclame que a informação chegou tarde demais. Que já não há nada mais a ser feito. Que você perdeu aquela saída à direita. Aí então, quem sabe, você se conscientize de que não é seguro cruzar o deserto sem GPS.

P.S.: Realmente, não tenho o menor senso de direção. Já me perdi várias vezes no trânsito, apesar do GPS. Já ouvi muito sermão de minha esposa por conta disso. E ela está certa. Mas não tenho esperança de que nunca mais volte a me perder no trânsito. Apesar dos sermões. Apesar do GPS.

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