Mais que ser atendido, eu quero é ser ouvido!

Esta série de textos semanais, inspirada no livro “A Agenda”, de Michael Hammer, propõe formas de nos destacarmos em tudo aquilo que fazemos. Neste texto, mostramos o valor da colaboração.

“Na história da humanidade (e dos animais também), aqueles que aprenderam a colaborar e improvisar foram os que prevaleceram.”

– Charles Darwin

Não sou o Rodrigo Hilbert – de novo!!! – mas também colaboro com minha companheira nas tarefas de casa, e acho isso super normal e todo homem devia fazer a mesma coisa. Se não houver colaboração entre a gente, além de passarmos exemplo equivocado às nossas filhas, não estaremos sendo consistentes com aquilo que acreditamos. Vivemos em um mundo onde colaborar é a palavra da vez, e isso tem que começar em casa.

Airbnb é colaboração. Uber é colaboração. Amazon é colaboração – sim, colaboração entre Amazon e uma rede de fornecedores de produtos diversos e de serviços logísticos que permite a nós, consumidores, termos o que queremos de forma rápida, prática e, por vezes, até mais barata que na lojinha da esquina.

Mas o conceito de colaboração vai além disso. Hoje se espera colaboração entre parceiros – de vida ou de negócios – não apenas no dia-a-dia, mas também na concepção de produtos, na geração de idéias, na exploração de novas possibilidades, no sonhar o impossível e transformá-lo em realidade.

“Acho incrível a capacidade de mergulhar no mundo do outro, na intimidade do outro, no dilema, no problema e na loucura do outro… É isso que a gente faz quando ouve a canção do outro….” 

– Patrícia Rezende

Meses após o início do namoro, já estávamos eu e minha companheira morando juntos. Lógico que tinha todo um lance de romance por trás dessa decisão, mas diria que a colaboração já era base de nosso relacionamento. Seu contrato de aluguel vencia, então pra que renová-lo? Era mais prático e razoável dividirmos o mesmo teto e cortarmos gastos de ambas as partes. Isso era o começo de uma relação colaborativa que já dura mais de uma década. Sou o cozinheiro de casa, ela se encarrega da rotina escolar das meninas, e eu cuido dos compromissos de final de semana com as crianças enquanto ela pode curtir um tempo com seus livros, enquanto a máquina toma conta da roupa suja.

Nas empresas é igual. Fornecedores participam da criação de novos produtos. Empresas de logística apresentam projetos para redução de custos, otimização dos estoques e melhoria do nível de serviço ao cliente final. Consumidores ajudam Netflix a investir na produção de conteúdo próprio ao fazer avaliações de conteúdo de terceiros. Vivemos em uma economia colaborativa e nem nos damos conta disso.

O que falta agora é vivermos em uma sociedade colaborativa. A vida em sociedade ainda é muito individualista, e conceitos como car sharing ainda passam longe de serem populares. Conversar com um desconhecido ou ajudar alguém pelo simples prazer de ajudar, então, isso passa longe da realidade da grande maioria.

Quero mais que ser atendido no meu restaurante preferido, quero dizer o que me agrada e o que não me agrada e, assim, ajudá-los a definir um cardápio com a minha cara, e com aquele elemento surpresa que vai vir da idéia de um outro cliente, que nem passava pela minha cabeça.

Quero montar minha própria fragrância. Nada de Gucci ou Marc Jacobs, quero um perfume que me represente. Também quero uma camisa que não amasse e que não me aperte e que não desbote com o tempo. Quero um carro com toda a tecnologia que serve a meus propósitos, e nenhum custo adicional por supérfluos que surpreendem na propaganda, mas que são inúteis no dia-a-dia do trânsito casa-trabalho.

Ser ouvido é isso. É saber que o produto que você compra, o serviço que lhe é prestado, tem algo de customização, algo de identidade que, a seu ver, foi feito especialmente para você. Ainda que seja um produto de massa. Ainda que seja não-exclusivo. Ainda que seja compartilhado com outros usuários. Porque o importante na economia colaborativa é o poder multiplicador do ouvir e do compartilhar. E do ter mais dinheiro para momentos à dois, porque o aluguel e o condomínio a gente divide desde o fim de 2002.

Andre L Braga tem formação em Coaching & Mentoring pelo Instituto Holos, mas não exerce profissionalmente tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Acredita que a economia colaborativa tem o poder de reduzir custos, simplificar processos, reduzir desperdícios e resíduos e melhorar a vida de todo mundo. Falta agora o mundo abraçar o óbvio.

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