Abraços, crianças no colo e pedidos de votos.

Esta série de textos semanais propõe um diálogo sobre as mentiras que rodeiam nossas vidas e suas consequências. Este texto é nossa forma de celebrar o feriado de 15 de novembro.

“A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentira para justificar a primeira que contou.” 

– Luiz Ignacio Lula da Silva

Hoje, 17 de novembro de 2017, temos alguns felizardos curtindo um feriadão super prolongado, que começou na quarta-feira e só termina na terça-feira. Vai da Proclamação da República ao Dia da Consciência Negra. Infelizmente não para mim… Mas este texto não é para falar de feriado. É pra lembrar que, daqui um ano, saberemos quem é o novo presidente do Brasil, bem como os novos governadores de Estado, a cara nova do Senado, com renovação de dois-terços de seus membros, os nomes dos novos Deputados Federais e Estaduais. Trata-se de um grande evento sócio-político, e a conversa sobre o que queremos desses novos eleitos tem que começar já.

Não gosta de política? Acha que político é tudo igual, tudo ladrão, então melhor votar no “menos pior”? Ou que os partidos do “lado de lá” – os que se dizem oposição ao seu posicionamento político-ideológico – estão recheados de bandidos, e que o futuro do Brasil depende da vitória majoritária de seu partido? Que precisamos de políticos que não temem a verdade, que colocam as cartas na mesa e falam na cara, sem papas na língua? Que defendem o cidadão de bem, a moral e os bons costumes? Ou que defendem os direitos das minorias, que buscam reparar erros históricos através de bolsas, quotas, incentivos culturais, que lutam pelo “politicamente correto”?

Vou te dizer uma coisa, meu amigo. Na hora de pedir votos, todo político distribui abraços. Pega crianças no colo. Fala aquilo que o eleitor quer ouvir. Tem suporte de uma equipe de marketing, relações públicas, gestão de imagem pública, gestão de imagem em mídias sociais. Faz uso de recursos públicos para promover seu nome. Faz alianças partidárias em busca de mais recursos, mais horário de rádio e televisão. Isso faz parte do jogo político.

“As grandes massas cairão mais facilmente numa grande mentira do que numa mentirinha.”

– Adolf Hitler

Então, estamos todos perdidos? É isso mesmo? Não tem pra onde correr, não tem em quem confiar? A boa notícia é que tem sim. Mas dá trabalho. Está preparado para a dura jornada de eleitor consciente até a próxima eleição? Então vamos lá…

Comece com a lista dos políticos que já estão lá. Os que buscam a reeleição. O que fizeram no mandato atual, ou em mandatos anteriores? Tiveram desempenho que, a seu ver, justifica mantê-los no poder? Os candidatos têm ficha limpa, ou estão atolados em denúncias de corrupção? Ao fazer esse exercício, você terá eliminado uma parcela considerável de candidatos, ou por incompetência, ou por desonestidade.

Agora, pule para a lista daqueles que podem vir a se candidatar a cargos mais elevados que os que ocupam atualmente. Aqui está o governador que se candidata à presidência, ou o prefeito que se candidata ao governo do Estado. Estude tais candidatos. O que fizeram durante o mandato atual? Quais conquistas lhes dariam crédito para assumirem cargos mais elevados? Coloque-se no lugar do patrão que avalia um empregado e suas habilidades e conquistas no cargo atual, para decidir se merece ou não ser promovido. A lógica é a mesma. E você sabe muito bem que seu chefe não vai lhe promover só porque você pegou criancinhas no colo e prometeu ser o melhor funcionário da empresa se promovido.

Por fim, afilie-se a um partido político. Não de forma simplista, assumindo que direita é PSDB, esquerda é PT, em cima do muro é PMDB, família e bons costumes é PSC. Mas sim, avaliando a proposta de cada partido, avaliando o perfil de suas lideranças e escolhendo aquele partido que você gostaria de chamar de casa. E então seja um membro ativo e cobre consistência política de seu partido. Se seu partido defende o estado laico, seria incongruente coligar-se ao PSC, partido do deputado federal Marco Feliciano. Se seu partido defende a preservação dos recursos naturais, seria inconcebível coligar-se ao DEM, PP, PSDB, PMDB ou quaisquer outros partidos cujos políticos compõem a Bancada Ruralista. Consistência ideológica se constrói a partir da pressão interna dos membros de um partido político.

Vlad Tchompalov

 

Está na hora de parar de agir de forma infantil, defendendo este ou aquele político nas redes sociais, repassando vídeos que dizem apenas aquilo que determinada camada da população deseja ouvir. Está na hora de parar de adorar Bolsonaro, Feliciano, Jean Wyllys, Luciana Genro, Dória, Lula e outros tantos que são diariamente transformados em caricaturas de esquerda ou direita nas redes sociais. Esses e outros tantos nomes são memes de uma briga infundada entre uma direita e uma esquerda brasileira que, na verdade, nunca existiram. De uma divisão de classe que, de fato, não passa de guerra ideológica sem um propósito, meras palavras soltas ao vento.

Está na hora do brasileiro ser agente ativo no cenário político, assumir seu papel de patrão, daquele que paga os salários dos políticos, e eleger como quem escolhe o melhor profissional para exercício de um cargo. Já somos craques em demitir – pense no número de casos de impeachment que vimos desde o fim da ditadura militar! Agora está na hora de sabermos recrutar e selecionar os melhores candidatos, com base em seus currículos e capacidade demonstrada de execução de suas funções, ao invés de jogar fora nossos votos, influenciados por ideologias que não passam de propaganda política, por abraços e crianças no colo, pessoas sorrindo, músicas que não saem da nossa cabeça e promessas de campanha sem um claro plano de execução.

Andre L Braga tem formação em Coaching & Mentoring pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Acredita na renovação, mas entende que isso não acontecerá se o povo não se renovar. Precisamos mudar nossa atitude frente ao voto, precisamos conscientizar a população sobre as consequências de não dedicar tempo ao debate político, precisamos de menos separação e de mais união, mirando um futuro melhor para nosso país.

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