Reclamar e esperar. Entender e agir.

“Pare de reclamar da vida e faça algo para mudar, mova-se, saia do canto, ficar parado é para os fracos, os fortes vão à luta.”  – Bob Marley

Em artigo para a Hypeness, a Jaque Barbosa contou a história do Roberto Vascon, que foi de lavador de carros no Rio de Janeiro a designer de bolsas em Nova Iorque, e do Durval Sampaio, que largou emprego estável para mergulhar de cabeça no sonho de fazer chapéus (veja artigo aqui).

O documentário “Observar e Absorver” , dirigido por Junior SQL e Igor Goulart, conta a história de Eduardo Marinho. Nascido em uma família capixaba de classe média, chegou a iniciar a carreira militar e passou no vestibular para o curso de Direito, mas decidiu abandonar ambos. Resolveu “cair no mundo” para tentar solucionar aquilo que o incomodava sobre a dinâmica da vida em sociedade. A dinâmica social que vivemos não é justa, tampouco sustentável. “É uma farsa, um teatro macabro de marionetes, numa sociedade que não tem no ser humano o seu centro de importância, mas no patrimônio, no lucro a qualquer custo, inclusive dos direitos constitucionais da esmagadora maioria da população.” Através de seu blog, Eduardo busca conscientizar a população quanto ao desequilíbrio social, as injustiças e perversidades cotidianas, que criminalizam as vítimas dos crimes sociais.

O que os três têm em comum? Uma ideia na cabeça e a vontade de transformá-la em realidade. Eles seguiram seus corações e não tiveram medo das consequências. Como bem definiu a Jaque Barbosa, se “as pessoas que citamos acima tivessem medo, teriam desistido na primeira dificuldade. Nada de mal teria acontecido, mas hoje não estaríamos falando delas.”

“Reclamar do tédio é fácil, difícil é levantar da cadeira para fazer alguma coisa que nunca se fez.” – Martha Medeiros

Você pode até me dizer: “Ah, mas eles são a exceção! E quantos mais não tiveram a mesma sorte?”

Então deixa eu te perguntar uma coisa. Será que eles acham que foi tudo uma questão de sorte? Será que atribuir a vitória deles meramente a sorte, ao acaso, não é um tanto quanto injusto? E os riscos que assumiram? E a vida confortável que deixaram para trás, em busca de seus sonhos e ideais? E as dificuldades que atravessaram?

E não, este não é um texto sobre meritocracia. Entendo perfeitamente a falácia por trás dessa ideia. Mas convenhamos, reclamar e esperar não trará nada de bom para você. Muito pelo contrário. A infindável reclamação sobre a vida e suas injustiças serve apenas para sintonizar nossa mente no canal errado. Mas entender que a vida não é fácil, refletir sobre as injustiças sociais e, ao compreender a dinâmica social, agir em busca de um sonho, de um ideal, de uma meta, é o que fará com que sejamos pessoas bem-sucedidas.

Veja bem. Ser bem-sucedido não significa ter uma casa e um carro novo na garagem. O conforto material faz bem, mas abdicar de seus sonhos e ideais por conta de posses é tornar-se prisioneiro da dinâmica social. Tanto Roberto Vascon quanto Durval Sampaio alcançaram um patamar social invejável, mas isso veio como consequência da luta pelos seus sonhos. Já Eduardo Marinho decidiu abandonar a promessa de uma confortável vida de classe média, para vivenciar e divulgar ao mundo a sofrida vida dos menos favorecidos. Cada um deles deixou para trás uma vida que não lhes fazia sentido, assumiu riscos, passou por momentos difíceis e alcançou aquilo que buscava.

E você? De que lado quer ficar? Da maioria que reclama e nada faz? Ou daqueles que chamamos de “exceção”, daqueles que dizemos que “tiveram sorte” quando, na verdade, deveríamos exaltar seus esforços para entender a realidade ao seu redor e, então, agir em prol de seus ideais?

Andre L Braga tem formação em Coaching & Mentoring pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Acredita que podemos mudar o rumo de nossas vidas, desde que tenhamos sabedoria para compreender a dinâmica social que nos é imposta, coragem para quebrar tais padrões e perseverança para não desistir no meio do caminho. Mas entende que o caminho é naturalmente mais fácil para uns que para outros.

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