Quando o coração está no comando

“Nada do que é feito por amor é pequeno.” – Chiara Lubich

Você já ouviu esse conselho por diversas vezes: siga seu coração. Até Steve Jobs, cujo retrato biográfico no filme que leva seu nome mostra que “um homem de bom coração” não seria a descrição mais adequada para sua personalidade, disse uma vez que você tem mais é que seguir seu coração, porque ele sabe muito bem onde você pode chegar.

Por outro lado, tem sempre aquele conselho sobre pensar racionalmente, dar ouvidos à razão e deixar a paixão de lado, ignorar a voz que vem do coração e fazer o que é certo.

Oh, dúvida cruel! Dar ouvidos ao coração, que é guiado pela paixão que cega, ou agir de acordo com a razão, que por vezes poda e censura e oprime?

Deixa eu responder essa pergunta com outra: precisamos mesmo separar uma coisa da outra?

Pense na paixão e na razão como os órgãos que são associados a tais sentimentos. O cérebro, ou razão, comanda o funcionamento de todo o corpo, mas não sobrevive sem que outros órgãos possam provê-lo de nutrientes necessários a seu funcionamento. O coração, que bombeia sangue a todo o corpo, inclusive ao cérebro, e o pulmão, que oxigena o sangue que chegará ao cérebro, e o sistema digestor, que libera energia para que o cérebro possa cumprir suas funções; todos são importantes para que o órgão associado à razão esteja operando, e assim o cérebro pode comandar, orquestrar essa máquina que é o corpo humano.

Por outro lado, o coração – ah, o coração… ele tem vida própria! Ainda que haja morte cerebral, o coração é capaz de continuar pulsando! Ele é um músculo involuntário, que não precisa do cérebro – ou da razão – para seguir bombeando sangue para todo o corpo! Não é assim a paixão? Um sentimento involuntário, que tem vida própria e segue seu caminho, independente do que os outros possam pensar a respeito?

“A razão tira emoção à vida.” – Nietzsche

É por isso que Steve Jobs, e tantos outros, dizem pra você seguir seu coração. Pra seguir seus instintos, sua intuição. Pra ir em frente e fazer aquilo que você acredita ser o certo para você, não dar ouvidos àqueles que tentam te desviar do seu caminho. Pra acreditar nos seus sonhos e seguir trabalhando para torná-los reais.

Mas essa força que vem do coração, essa vontade incessante de seguir pulsando, pode trazer consequências indesejáveis. Em alguns procedimentos cirúrgicos de alto risco, o resfriamento do corpo e consequente redução drástica da atividade cardíaca pode ser uma técnica requerida, evitando perda excessiva de sangue ou outros danos a outros órgãos do corpo humano. De forma análoga, controlar nossas paixões, para que elas não nos levem a fazer alguma grande besteira, como magoar aqueles que mais amamos, perder um emprego que tanto nos agrada – ou do qual tanto precisamos – ou até mesmo matar alguém por questões passionais, é algo extremante vital!

“Não siga o seu coração, guie seu coração.” – Luiz Hermínio

Quando aprendermos que podemos utilizar a força vital do coração para realizar aquilo que desejamos, mas sem deixar que ele nos cegue e nos leve a situações das quais nos arrependeremos depois, então encontraremos a verdade naquele conselho sobre “seguir o coração”, que na verdade deveria ser: “Guie seu coração”.

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