Quão diferentes são nossas diferenças?

“Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.” – Carlos Drummond de Andrade

Dia desses vi um vídeo no YouTube. Pegaram grupos de pessoas, de diferentes tribos e diferentes posições sociais. Colocaram esses grupos em quadrados distintos, e alguns espaços vazios restaram ao centro. E os narradores pediam para pessoas que atendessem a determinadas condições que se dirigissem a um determinado local. O surpreendente final desse vídeo você confere abaixo.

Esteja certo você que temos mais coisas em comum que diferenças. Começando pelo fato de compartilharmos a mesma base genética, de sermos todos seres humanos – se bem que, às vezes, nos esquecemos disso e agimos como verdadeiras bestas do apocalipse. O problema é que a gente insiste em ver, e exacerbar, as diferenças entre a gente, ao invés de buscar nossos pontos convergentes, nossas similaridades, nossos interesses em comum. A gente tem a péssima mania de segregar ao invés de unir.

“Respeitar as diferenças começa por aceitar que as pessoas pensem diferente de você.” – Augusto Branco

Qual foi a última vez que você conversou com alguém que defende ideologia política diferente da sua? Veja bem, preste atenção! Minha pergunta foi “conversou”, e não “discutiu”. Porque o que mais se vê hoje em dia é uma troca incessante de acusações de teor culinário, quando o assunto em pauta é política. Ou você é coxinha, ou você é mortadela. Parece até que política virou briga de torcida organizada, onde um é porco, outro é gambá…

Qual foi a última vez que você, trabalhando em um escritório, foi trocar ideia com o pessoal da fábrica? Ou você, sendo operário em linha de produção, foi ouvir o que pensa o presidente da empresa, e teve a chance de dizer-lhe o que pensa sobre as condições de trabalho oferecidas? Não estou falando de conversa de sindicato, de discussão pra ver que pode mais, quem grita mais, quem tem maior poder de barganha. Estou falando de conversa, de um ouvir e entender e colocar-se no lugar do outro. De poder dizer suas verdades, sem medo de ser repreendido por isso, mas também de saber ouvir a verdade do outro. De buscar o diálogo.

Qual foi a última vez que você, sendo mais velho, conversou com os mais jovens, sem sentir-se superior ou exigir respeito por conta da sua idade? E você, sendo mais jovem, quando foi que conversou com um idoso, buscando entender o que somente os anos podem ensinar, sem tachá-lo de careta ou de gagá? Puderam conversar sem aquela tendência a achar que tudo era melhor no passado, ou que tudo aquilo era chato demais, e bom mesmo é o agora?

Qual foi a última vez que você, sendo roqueiro, ouviu aquele funk carioca, axé ou pagode, sem soltar um palavrão e mandar desligar o rádio? Ou você, fã de MCs, entrou naquele barzinho de música ao vivo e curtiu uma noite ao som de Nando Reis e Cassia Eller?

As diferenças estão aí pra serem apreciadas! E temos muito a aprender com tais diferenças.

“Respeitar pessoas é ACEITAR DIFERENÇAS.” – Andresa Martins Vicentini

Você, hétero machão que acha que homossexuais são doentes; já parou pra pensar que a mulher que você gosta é, adivinha? Diferente de você, que é homem! Você sabia que ela é diferente, né? Então, você gosta mesmo é do que é diferente…

Você, defensor da moral e dos bons costumes, que acha que bandido bom é bandido morto; já parou pra pensar que um dos mandamentos da igreja que você religiosamente frequenta aos domingos é justamente “Não Matarás”? Então, pelo que me consta, você defende conceitos que são distintos da sua crença! Você tem, dentro de si, dois pensamentos divergentes, duas forças opostas que dividem espaço em seu cérebro. Legal, né?

Você, defensor da liberdade de expressão, que vaia e faz barulho quando um político de direita sobe ao palanque; já parou pra pensar que está indo contra aquilo tudo o que defende? Aquilo pelo qual luta com unhas e dentes? Você quer liberdade de expressão, mas isso só vale para a sua mensagem? Ah, é que a direita já teve muito espaço, então agora é a sua vez… Entendi…

Percebe? Apreciar as diferenças é mais complexo que ouvir ao outro. Àquele que achamos que é diferente de nós. Ouvir o que ele tem a dizer. Colocar-se no lugar do outro e sentir o que o outro sente. Apreciar as diferenças é entender que, dentro de nós mesmos, tem muita coisa conflitante, e isso tudo é normal! Somos um poço de diferenças contido em nós mesmos! Então melhor parar de apontar as diferenças que nos separam dos outros e abraçar as similaridades que podem nos unir. Talvez assim possamos também fazer as pazes com essas vozes conflitantes que habitam nossas mentes e corações.

 

Andre L Braga tem formação em Coaching & Mentoring pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Vive provocando um amigo que segue viés mais a direita e insiste em achar que sou “de esquerda”. Na verdade, ele sabe que não sou esquerda, e também entende que essa polarização “direita – esquerda” não faz mais sentido na pluralidade da dinâmica social em que vivemos. Mas a provocação não vem à toa. Ela vem por conta do diálogo. Porque podemos aprender um com o outro. E, com certeza, temos mais coisas em comum que diferenças.

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