Transformando ódio em compaixão

“Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade.” – Dalai Lama

“Ah! Eu quero matar Fulano!” – quem nunca? Tem gente que consegue tirar a gente do sério, a ponto de nos fazer perder a cabeça e a razão. Mas isso passa. E logo estamos conversando de novo. E vamos perder a paciência com essas pessoas, de novo e mais uma porção de vezes. Mas nem por isso as deixaremos de lado porque, no fundo, sabemos que as amamos.

Mas nem sempre é assim. Tem gente que a gente odeia e ponto. Sente nojo. Asco. Gente que, por um motivo ou outro, nos faz até querer vomitar. É sobre esse tipo aí que quero falar.

Já parou pra pensar por que tais pessoas conseguem te perturbar tanto, a ponto de te causar repulsa tamanha? É algo que você não gosta em você mesmo, mas enxerga ampliado no outro? Ou então algo que fazem ou alguma ideia que defendem que vai tão contrário aos seus princípios, que você simplesmente não pode suportar sequer imaginar? Eles fizeram algo que, a seus olhos, é absolutamente repugnante?

Não estou aqui para bancar o bom samaritano e dizer que você precisa seguir o exemplo que vem da Bíblia e perdoar àqueles que lhe fizeram o mal. Até porque a mesma Bíblia que lhe diz pra perdoar, também condena os pecadores ao fogo do inferno… Então, o que diabos quero dizer com “transformar ódio em compaixão”?

“Nossa tarefa deveria ser nos libertarmos … aumentando o nosso círculo de compaixão para envolver todas as criaturas viventes, toda a natureza e sua beleza.” – Albert Einstein

Transformar ódio em compaixão não significa que temos que passar a mão na cabeça daqueles que nos fizeram o mal, perdoando-os e aceitando-os de braços abertos, como bons e mansos cordeirinhos, sabendo que um dia eles farão mais do mesmo. Ninguém tem que ser bobo de ninguém.

Transformar ódio em compaixão tampouco significa martirizar-nos por não sermos capazes de perdoar, virar a página, esquecer o mal que um dia nos fizeram. Não significa passar noites em claro, remoendo aquele sentimento de fragilidade que só sente quem sofre em silêncio. Não significa direcionar suas orações aos “pecadores” que lhe fizeram o mal, para que uma luz divina possa tirá-los daquele caminho, perdoa-los e garantir-lhes um espaço nos céus.

Transformar ódio em compaixão é um ato de auto-apreciação, seguido de “fazer o bem” àqueles que sofreram nas mãos dos que praticam o mal que lhe causa tanta repulsa.

Se alguém lhe fez algo horrível, ou se leu uma notícia sobre algo terrível e que lhe causou revolta, repulsa, nojo, ânsia de vômito ou qualquer outra coisa ruim, você precisa, em primeiro lugar, perdoar-se a si mesmo. Sim! Perdoar-se a si mesmo! Eu sei que você não fez nada de errado, mas você fica aí, com esse peso nas costas, essa história na cabeça, martelando o tempo todo na sua mente. Você pode até achar que não, mas quantas vezes você se viu perdendo a cabeça e tecendo comentários agressivos quando alguém toca no assunto que te incomoda? Ou então, quantas vezes você se pegou aí, distraído, com o pensamento longe do “agora”, tentando digerir aquela coisa horrível que ficou engasgada na sua garganta, indigesto pedaço podre de sentimentos gerando ácidos no seu estômago, aquele refluxo azedo que não te deixa dormir à noite? Então, perdoe-se. Tire esse peso da sua vida. O mal não foi causado por você.

Agora que você se perdoou, retribua esse bem que você fez a si mesmo. Busque uma forma de ajudar outras pessoas que sofrem ou sofreram nas mãos daqueles que lhe causavam asco. Vítimas de violência sexual, familiares de vítimas da violência urbana, pessoas abandonadas por aqueles que amavam e acreditavam ser amadas, crianças exploradas pelo tráfico e pelo crime. Quais vítimas você vai querer ajudar, só você sabe. Mas ajude-as. Retribua o bem que você fez a si mesmo, quando foi capaz de perdoar-se, ajudando àqueles que ainda sofrem por conta das injustiças deste mundo.

Ao ajudar as vítimas daqueles que lhe fizeram o mal, você estará genuinamente transformando ódio em compaixão. E você só tem a ganhar com isso. E o mundo agradece.

Andre L Braga tem formação em Coaching & Mentoring pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Escreve para transformar ódio em compaixão. E é muito grato por tudo de bom que seus leitores lhe oferecem.

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