A Era da Estupidez

“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.” – Albert Einstein

Somos cerca de 7,6 bilhões de pessoas habitando nosso planeta. No início da década de 60, a população mundial era menos da metade da atual. Temos atingido a marca de um milhão a mais de pessoas a cada 12 ou 13 anos desde então. No início do século passado, cerca de 90% da população de 1,7 milhão de habitantes vivia no campo. No início deste século, quase metade da população habitava cidades, e cerca de 15% concentrava-se nas 50 maiores cidades do mundo, tais como Nova Iorque, Paris, Londres, Tóquio, Bombaim, São Paulo, Xangai e Cidade do México.

Apesar de todas as críticas ao mundo moderno, com suas injustiças e iniquidades, o fato é que esse crescimento populacional só se tornou possível por conta dos avanços alcançados nas mais diversas áreas da ciência e tecnologia.

Tomemos as vacinas como exemplo. Foi em 1909 que o Instituto Pasteur introduziu a vacina contra a tuberculose. A vacina contra a febre amarela surgiu em 1936. Os primeiros testes da vacina contra a poliomielite ocorreram em 1954. O programa de erradicação da varíola veio pouco depois, em 1959. O Brasil institucionalizou seu Programa Nacional de Imunizações em 1973. Existe evidente correlação entre programas de imunização e a redução das taxas de mortalidade infantil e crescimento populacional.

Fome. Nos últimos 15 anos, o número de pessoas desnutridas caiu em 20%, de cerca de 1 bilhão para os ainda assim alarmantes 800 milhões de pessoas ou 11% da população mundial. Na América Latina, somos cerca de 7% de desnutridos, contra 11% na Ásia e 20% na África. Aprimoramentos tecnológicos no campo, resultando em produção mais eficiente de alimentos, tem sido fundamentais para a redução nas taxas de desnutrição, mas ainda há muito o que ser feito, principalmente na redução do desperdício no transporte, cadeia produtiva e consumo.

O acesso aos meios individuais de transporte têm se ampliado de forma significativa. Sem entrar no mérito dos modelos de mobilidade urbana adotados em grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, onde o coletivo recebeu menos investimento que o necessário, enquanto que o crédito para a compra de carros e motocicletas tem sido facilitado, o fato é que se tornou mais fácil comprar um carro ou moto nos dias de hoje, do que era há cerca de 30 anos, por exemplo. Pra quem quiser dar uma olhada, tem uma matéria bem legal sobre isso aqui.

Esta lista poderia seguir com outros tantos exemplos de indicadores de qualidade de vida que tem melhorado, ano após ano, mostrando que nossas vidas nunca foram tão boas como são nos dias do hoje. Só que indicadores nunca são precisos e, ao que parece, nunca fomos tão infelizes. Ao que me consta, tais indicadores não medem um fator-chave na determinação da felicidade ou infelicidade humana. Estamos falando do fator estupidez.

Terra plana. Criacionismo. Chega de vacinar nossos filhos, vacinas fazem mal. Bolsonaro 2018. Bandido bom é bandido morto. Defendia bandido, então mereceu morrer como morreu. Pra resolver o problema da segurança, vamos armar o “cidadão de bem”. Aborto é crime contra a vida, mas se aquele feto cresce e vira bandido, esse “de menor” pode ser morto pela milícia ou outro tipo de justiceiro que isso não é crime que incomode o “cidadão de bem”. Homossexuais não têm direito ao casamento. Socialite comete crime de racismo em redes sociais, e não foi uma única vez, mas ainda assim segue livre e cometendo outros crimes do tipo, e quiçá ganhando novos seguidores. Onde foi que erramos?!? Erramos quando subestimamos o poder da estupidez humana. Vivemos a Era da Estupidez.

“Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no fato de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões.” – Bertrand Russell

O problema é que damos ouvidos aos estúpidos e suas certezas, até que percebemos que esse é o caminho mais fácil e reconfortante e acabamos nos tornando um deles, quando deveríamos, na verdade, assumir nossa ilimitada ignorância e buscar soluções para nossos problemas pessoais, os problemas de nossa comunidade e da humanidade como um todo, seguindo preceitos básicos e que sejam baseados em valores universais. Explico-me com alguns exemplos.

“Como os recursos naturais de nosso planeta serão, muito em breve, totalmente exauridos, precisamos desenvolver meios de colonizar Marte.” – Não seria mais lógico e justo buscar meios de evitar a degradação total de nosso planeta? Alguns poucos humanos, dotados de recursos financeiros para tal, poderão usufruir dos benefícios de uma eventual colonização de Marte. E todos os outros que ficarão por aqui? Estamos trabalhando em um projeto no qual 1% da população mundial poderá se salvar, e os outros 99% que morram de fome e doenças, em meio à guerra, neste planeta que os privilegiados deixarão para trás?

“O Governo não protege o cidadão de bem dos criminosos, então vamos armar a população.” – E o Governo também não provê saúde de qualidade, então pagamos planos de saúde particular. Nem educação de qualidade, então pagamos escola particular para nossos filhos. E as estradas estão em péssimas condições, apesar do IPVA caríssimo, então povoamos nossas estradas com praças de pedágio. E assim segue. Nossos impostos vão para “O Mecanismo” – série da Netflix, que já bate as novelas da Globo em número de protestos no Facebook – e então temos que pagar, se podemos pagar, para termos algo que deveríamos receber, mas não recebemos, porque o dinheiro é mal aplicado ou desviado.

“A verdade está na Bíblia. Cientistas são ateus sem coração. Escute a voz de Deus e siga sua palavra. Quem não o segue, vive em pecado e deve ser punido.” – Por que será que cresce tanto o número de igrejas no Brasil? O número de pastores que criam novas igrejas, o número de religiosos que vão para o mundo da política, o número de igrejas que tem emissoras de rádio e televisão? Seria porque todos são iluminados, escolhidos do Senhor, e o Senhor nunca escolheu tantos brasileiros de uma só vez, numa mesma época? Ou estaria uma parcela apenas utilizando-se da ignorância de um povo em seu favor, para enriquecimento próprio e cultivando uma cultura de ódio que ecoa e faz as pessoas se sentirem melhores, ao despejarem suas culpas e frustrações no colo dos outros, aqueles que os pastores reforçam ser os verdadeiros pecadores?

Parece que chegamos ao fundo do poço. Mas nunca é fundo demais para quem quer ser ignorante. Mas o bom é que sabemos como evitar tudo isso. E podemos construir nossa libertação, e trabalharmos em nosso próprio iluminismo pessoal. E o bom disso tudo é que, como diz o ditado, sua lanterna ajuda a iluminar o caminho de quem está ao seu lado. Então, meu caro leitor, faça esse grande favor para você e para toda a humanidade: seja uma lanterna que ilumina os caminhos de uma humanidade que se perdeu na escuridão desta Era da Estupidez.

Andre L Braga tem formação em Coaching & Mentoring pelo Instituto Holos, embora não exerça profissionalmente tal função. Atua em finanças em uma multinacional de bebidas não-alcoólicas. Inspirou-se em uma conversa recente com um grande amigo para escrever este texto. Amigo esse que é uma luz em meio à escuridão deste mundo moderno.

1 Comment

  1. Jesus é o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA. joao 14.06.

    Concordo que a humanidade, desconhece o seu fim, andam correndo de um lado pro outro como loucos consumistas, visando seu propio beneficiu. Enfim, não a espaço para coisas mais importantes como a propria salvaçao.

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