Tem gente que pensa que é gás sarin…

( ou sobre o prazer em ser tóxico )

Há cerca de dois meses, jornais de todo o mundo estampavam em suas manchetes de primeira página o uso, na Síria, de armas químicas contra civis, muito provavelmente gás sarin. Ataques com armas químicas são condenados pela comunidade internacional, e tal afronta aos direitos humanos acirrou as discussões, por parte de diversos líderes mundiais, rumo ao banimento de armas químicas.

Se você fosse vítima de um ataque como esses, só iria se dar conta quando o gás começasse a causar efeitos no seu organismo. Isso porque o gás sarin é incolor e inodoro. Você simplesmente não percebe que está sob ataque. Absorvido por inalação, ingestão, pelos olhos e pela pele, o gás age diretamente no sistema nervoso da vítima. Os sintomas abrangem contração das pupilas, salivação em excesso, sudorese, dificuldade respiratória, visão turva, náusea e vômito, espasmos e dor de cabeça. Esses são os sintomas visíveis. Mas seus danos vão muito além, inibindo uma enzima que age na musculatura, o que leva à paralisia muscular, respiratória e cardíaca. Um gás letal, que age sem fazer alarde e contra o qual é muito difícil proteger-se.

Me perdoem por traçar tal paralelo, mas tem gente que age feito gás sarin. Pior, tem gente que sente prazer em agir dessa forma, de ver suas vítimas agonizando, sem sequer saber de onde aquele sofrimento todo veio. Tem gente que tem imenso prazer em ser tóxica.

Sabe aquele tipo que chega em silêncio, arma todo tipo de complô contra você, vai construindo cuidadosamente as situações quotidianas que vão causar-lhe dores de cabeça, náuseas e vômitos, dificuldades respiratórias e outros reflexos físicos da dor psíquica da ansiedade, da pressão de seus pares, do estresse motivado pelo medo? Esse sujeito que pensa que é gás sarin é incolor e inodoro e insípido. Não tendo qualquer atrativo para se destacar em meio à multidão, passa seus dias contaminando e paralisando suas vítimas, usualmente pessoas mais bem-sucedidas que aquele ser tóxico – o que não é lá muito difícil, porque o ser tóxico, como mencionado anteriormente, é insípido, inodoro, incolor. Um inútil para a sociedade, mas com capacidade incrível de transformar a realidade daqueles ao seu redor, mudando as vibrações para algo extremamente negativo.

Diferentemente do gás sarin, que não tem poder multiplicador em si mesmo, o sujeito tóxico parece ter a capacidade de fazer proliferar sua toxidade em todo seu entorno. É como se o gás fosse capaz de se misturar ao oxigênio e, ao invés de diluir-se naquele meio, pudesse transformar o oxigênio que respiramos em mais e mais gás letal, até o ponto em que a terra toda teria trocado cada molécula de oxigênio por moléculas de gás sarin. O sujeito tóxico pode transformar pessoas saudáveis em outros sujeitos tóxicos como ele próprio. Você me entende?

Líderes mundiais querem banir armas químicas da face da terra. Por que não firmamos um pacto entre nós, e concordamos em banir pessoas tóxicas de nossos meios? Assim como gás sarin, tais pessoas são difíceis de serem detectadas, pelo menos até que causem alguns sintomas em sua primeira vítima. E esse é o momento! Não espere que a vítima venha ao óbito, por conta de paralisia cardio-respiratória, ou o comprometimento de sua reputação por conta de boatos! Socorra a vítima, apoiando-a como puder, e isole o agente tóxico!

Isso vale para círculos sociais e familiares, comunidades e empresas. Vamos banir os sujeitos tóxicos de nosso meio! Só assim poderemos viver a vida saudável que tanto almejamos – exceto pelos agrotóxicos e aditivos químicos aos alimentos industrializados, mas essa é outra batalha, pra outro texto…

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