Roteiro de filme de terror

( e não, claro que não é verdade )

A história segue meio que assim…

Um líder ajusta as contas de um país, há muito castigado pelo fantasma da hiperinflação. Resiste bravamente em popularidade, a ponto dos eleitores ignorarem esquemas de corrupção e de compra de apoio do Legislativo. Mas as crescentes taxas de desemprego durante seu segundo mandato, associadas a crise energética, derrubam sua popularidade. Assim, o eleitor resolve dar uma chance ao time do outro lado do espectro ideológico.

O experiente candidato, porém inexperiente como gestor público, assume em 2003. E é reeleito em 2006. E reelege sucessora em 2010. E ela, a sucessora, é reeleita em 2014. Derrubada, por impeachment, em 2016. Assume o vice, de um partido cuja história faz margens com todos os governos, desde o restabelecimento da democracia. Mas tudo isso é história…

O terror vem da lapidação do patrimônio público durante o governo popular. Aqueles que prometeram o poder para o povo, entregavam na surdina o poder para os poderosos. Não apenas aqueles de sempre. Havia novos parceiros. Eram empresários que faziam riqueza do nada, que geravam uma falsa sensação de prosperidade da pátria, que despontavam no meio empresarial internacional e faziam crer que o Brasil, daquela vez, não repetia o famoso voo da galinha.

Mas esse castelo de areia começava a ser dissolvido pela maré de corrupção, investimentos em países vizinhos e outros grandes equívocos. E, ao perceberem que não dava mais, firmaram o pacto com o diabo. Literalmente. Ou quase.

Aceitaram o impeachment. Sim, aceitaram. Porque, em velhos tempos, saberiam gerenciar a situação. Mas não daquela vez. Era melhor deixar que o vampiro assumisse, e que conduzisse todas as medidas impopulares que eram necessárias e que haviam sido anunciadas, ainda em campanha de reeleição, pela presidenta deposta. Mas não era adequado seguir adiante com as reformas, carregar aquele rótulo para o partido, já tão machucado por conta dos sucessivos exemplos de corrupção.

Então, que deixe correr o golpe! E assim o rotularam. Para dar um tom dramático. E, óbvio, os dois anos do vampiro no poder foram um desastre. Pois que ele tomava em mãos um país falido, e ainda por cima tinha em sua agenda a implementação de medidas impopulares.

O partido sabia que aquele cenário era perfeito para que despontasse uma oposição forte. Mas também sabia que a única oposição com condições de decolar era a da extrema-direita. Para combater doença grave, remédios fortes. Por outro lado, entendiam perfeitamente que esse perfil atrai fiéis seguidores, mas também um batalhão de opositores. Despontaria, mas seria mais um voo de galinha. Mais um.

E, enquanto o país sangra nas mãos do vampiro – e da violência urbana – o partido arquiteta seu plano mais macabro: uma candidatura fadada ao fracasso, com a simples intenção de fazer crescer um candidato desconhecido. Lançam a candidatura do pai do partido, mas ele está preso e tem a candidatura impugnada. Mas já apareceu em pesquisa, já provou seu poder frente aos eleitores. Então refazem a candidatura, lançando seu vice na chapa impugnada como candidato oficial. Tudo isso com o selo “Pai do Partido Aprova”. E o que acontece? Sua candidatura dispara. Rumo ao segundo turno, ao que tudo indica.

E aí o filme de terror chega a seu ápice. Votar pela volta das décadas de 60 e 70, ou pela continuidade do plano de governo do partido? Pior! Se ganhar o candidato do ser supremo que está preso, vão dizer que foi fraude, porque a urna eletrônica é gerenciada por empresa da Venezuela. Piada pronta a aprovação de uma empresa com sede na Venezuela, país sem qualquer tradição em segurança da informação, para gerenciar um processo eleitoral. Mas é assim que se constrói um bom roteiro de filme de terror.

Ainda não sei como esse filme vai terminar. Mas sei de uma coisa: não vai ter a vitória do bem sobre o mal. Este vai ser daqueles filmes onde dois demônios lutam pelo reino das trevas. A não ser…

A não ser que a gente esqueça essa coisa de voto útil e, no primeiro turno, vote com convicção. Vote em quem a gente gostaria que fosse o próximo Presidente do Brasil. Porque, afinal, a gente vive dizendo que as pesquisas mentem. Então por que estamos acreditando nas pesquisas desta vez?!?

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