Como morrem os pobres e outros ensaios | George Orwell

Companhia das Letras, 2011

O primeiro livro a aparecer por aqui não poderia ser de outro, senão daquele que é meu autor favorito, ao lado de Franz Kafka: o britânico George Orwell.

Autor dos consagrados 1984 e A Revolução dos Bichos, Orwell não apenas foi capaz de prever aquele futuro sombrio que chamamos de tempo presente, mas também descreveu como ninguém, em seus ensaios, o contexto político-social europeu das décadas de 30 e 40. De escrita fluída, conquista pela simplicidade das construções de suas frases e pela profundidade de seus questionamentos acerca da vida em sociedade.

Costumo dizer que, para se escrever uma boa história de ficção, o autor precisa ou ter vivenciado aquilo que descreve em seus livros, ou estudado profundamente sobre os temas. Um escritor vindo de família rica da Noruega, por exemplo, dificilmente será capaz de ambientar seus romances em um vilarejo na fronteira entre Índia e Bangladesh. Se o fizer sem o devido estudo, ou sem uma imersão total naquele universo, acabará criando um cenário absurdamente falso, distante da realidade de quem vive naquela região. Um escritor precisa, antes de qualquer coisa, desenvolver sua empatia e saber colocar-se no lugar dos personagens que cria. Apenas assim seus personagens terão uma alma, e apenas assim seus leitores conseguiram se identificar com a história narrada em seus livros.

George Orwell também pensava assim. Não que tenha dito ou escrito algo do tipo – pelo menos não que eu saiba ou me recorde – mas por ter decidido vivenciar o que é estar abaixo da linha da pobreza em uma Europa castigada pela guerra e pela crise de 1929.

Entre 1929 e 1932, Orwell deixou o conforto de seu apartamento londrino e foi viver como indigente. Nos textos reunidos nesta edição da Companhia das Letras, descreve em detalhes as dificuldades que enfrentou em albergues, hospitais para indigentes, na prisão e no árduo e pessimamente remunerado trabalho de colheita do lúpulo. Posteriormente, em 1946, resumiu sua experiência em artigo que dá nome a este livro, o qual encerra a primeira de suas seis partes.

Nas outras cinco partes, aborda a defesa da linguagem clara; a honestidade intelectual – tema tão conclamado e tão pouco compreendido nos dias de hoje; o que vem a ser pacifismo; a dinâmica social na Inglaterra de seu tempo, que nos dá melhor perspectiva sobre o que se transformou a Inglaterra nos dias atuais; dentre outros assuntos dos mais variados.

Se quer conhecer o Orwell “mainstream”, leia 1984 e A Revolução dos Bichos. Agora, se quer conhecer o George, cidadão britânico que melhor reflete a imagem de um ativista social, leia esta maravilhosa coletânea de ensaios, publicada pela Companhia das Letras.

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