C. J. Tudor | Uma linha tênue entre o real e o sobrenatural

“É engraçado como as boas recordações voam feito borboletas: fugazes e frágeis, impossível capturá-las sem esmagá-las. Só que as más… a culpa, a vergonha… agarram-se a nós feito parasitas. Nos corroem por dentro em silêncio.”

– “O que aconteceu com Annie”, segundo thriller de C. J. Tudor –

Acabei de ler “O que aconteceu com Annie”, segundo thriller da escritora britânica C. J. Tudor. Pouco antes de concluir suas últimas páginas, recebi um exemplar de seu mais novo livro, “As outras pessoas”, que acabou de ser lançado aqui na Inglaterra. Não vejo a hora de começar a lê-lo!

Tudor conquistou minha admiração em seu primeiro livro, “O homem de giz”, criando grande expectativa quanto a seu próximo thriller. Isso costuma ser perigoso. A gente lê um primeiro livro e pensa, “Uau! Que escritora!”, e acaba se decepcionando com sua próxima obra. Isso poderia ter acontecido com “O que aconteceu com Annie”. Exceto pelo fato de que não, isso não aconteceu!

C. J. Tudor superou todas as minhas expectativas em seu segundo romance, deixando-me deliciosamente perdido ao longo de suas mais de 300 páginas. Desnecessário dizer que o final não poderia ter sido mais inesperado e, ao mesmo tempo, plausível.

Muito embora “O homem de giz” já navegasse super bem entre o real e o sobrenatural, a autora conseguiu aprimorar, e muito, sua narrativa de suspense em seu segundo livro, a ponto do leitor não conseguir entender ao certo se o que aconteceu era algo que a ciência poderia realmente explicar, ou se o sobrenatural tem realmente o poder de influenciar em nossas vidas.

Ambas histórias abordam incidentes trágicos vivenciados por crianças e adolescentes, nos anos 80 e 90, e a tentativa de adultos em resgatarem a verdade dos fatos, revivendo aquilo que, para muitos, deveria ter ficado no passado.

“Há algumas coisas na vida que você pode alterar – seu peso, sua aparência, ate mesmo seu nome -, mas há outras nas quais desejar, tentar e trabalhar duro não faz diferença alguma. Essas coisas são as que nos moldam. Não as coisas que podemos mudar, mas aquelas que não podemos.”

– “O homem de giz”, de C. J. Tudor –

Embora a formula seja a mesma – um crime envolvendo crianças, algumas perguntas sem respostas, a necessidade de resgatar a verdade e as consequências de se mexer no passado -, as duas histórias seguem caminhos completamente diferentes, não permitindo, em momento algum, que “O que aconteceu com Annie” seja uma espécie de “O homem de giz – Parte 2”.

Já ouvi pessoas dizendo: “Não me interesso por essas histórias. Elas envolvem crueldades com crianças, e isso é algo que não suporto.” Muito embora isso seja algo muito pessoal, o que posso dizer aos leitores que pensam assim é que o suspense, a tensão entre o real e o sobrenatural, são muito maiores que a crueldade narrada nas páginas desses livros. Em ambos os casos, o tema central reside na busca pela verdade, anos após as tragédias que mudaram o destino daqueles amigos de infância.

Muitos comparam C. J. Tudor a Stephen King, sendo tal comparação mais do que justa. Caso a autora consiga manter a publicação de um bom livro por ano, e não caia na mesmice em suas histórias, talvez o futuro a coloque em um patamar em que tal comparação deixe de fazer sentido. Porque ela, C. J. Tudor, se tornará, absoluta, a nova rainha da literatura de suspense.

E você? Já leu os livros da C. J. Tudor? Concorda com minha opinião? Comenta aí embaixo!

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