Resenha: Um caco de telha

Um Caco de Telha
Ricardo Pimenta (@autor.rpimenta)

“eu não sou quem você acha que eu sou; eu não sou quem eu acho que eu sou; eu sou quem eu acho que você acha que eu sou”.

Certa vez, ouvi da Karine, do @the_graveyard_reader, que Um Caco de Telha é um livro para se ler sem pressa. Ela não poderia estar mais certa!

Um Caco de Telha é quase um tratado de filosofia, um misto de dor e reflexão, que se repete de maneira teimosa, porque assim a dor e a reflexão o desejam. E não há como você controlar seus desejos. Eles acontecem, queira você ou não.

Álvaro desejava o corte, o sangrar, o coçar com seu caco de telha. Se via num ritual cíclico de autopenitência, sua via sacra, em busca de algo que precisava ser feito, mas que se apresentava de forma turva, dançando como a fumaça de seu cachimbo.

Nina, por outro lado, queria viver. Queria sentir. Queria sentir-se. Mas já não sabia mais quem era.

“O tempo era um torturador lento, paciente e inócuo. Machucava, devagar e sempre, o nada.”

O que é o tempo, quando não se tem mais nada? Álvaro não tinha mais nada, além de suas enuviadas lembranças, seu estojo de plástico e seu caco de telha. Tempo? Já não sabia mais como medi-lo. Nina tampouco compreendia sua posição no tempo e no espaço. Ela queria viver. Ele queria morrer aos poucos.

“Quando a vida te escolhe para sofrer, não há nada que você possa fazer.”

Um Caco de Telha é angustiante, mas reconfortante. Como o coçar compulsivo da pele com um caco de telha. Ele alivia o desejo incontrolável, ao mesmo tempo que faz sangrar. Ele remove sua mente da realidade, transportando-a para o ato mecânico do coçar.

“Somos máquinas em montagem, imperfeitas, mas perfeitamente ajustadas.”

Sabe aquela frase, cada vez mais comum nos livros? Aquela mesma! CONTÉM GATILHOS… Este livro é o próprio gatilho. Mas, ainda que não possa controlar seus desejos, você pode determinar suas ações. Ceder, puxar o gatilho. Ou resistir, e seguir com a sua vida, seu caco de telha.

Viva o agora! Mas… “Não existe o agora, porque ele já se foi.”

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