Resenha: Passagem ao fim do mundo

Passagem ao fim do mundo
Ricardo Árcoli (@ricardo_arcoli)

“Não entendo de poesia!”, disse ao autor, quando decidi me aventurar por este livro. E as primeiras páginas reforçaram minha afirmação. Até que, lá pelo terceiro poema, li uns versos que fisgaram minha alma.

“Ver-te em chamas arder, Neroniano sonho imperial, As queimaduras de terceiro grau Deixam um Tupi a morrer.”

Quem não se lembra do índio queimado vivo em Brasília, por adolescentes de classe média, em busca de emoção barata?!

E depois veio um poema inteiro: DESABAFO. E mais outro: CEFALEIA. Lia algo que não compreendia e então, ali no meio, escondido, vinha a apunhalada nas costas.

“Ninguém bate à minha porta Para vomitar seus problemas, Nem para cobrar atenção E na escuridão do quarto, Me divirto desenhando Criaturas mentais.”

E como era boa a sensação! Estranho como ver nossa dor nas linhas de um poema é reconfortante!

“Não quero ser interrompido no ápice de meu inferno astral. Nesta utopia de visões metamórficas, onde medusas E minotauros dançam temas tribais sobre meus ombros.”

E é esse tipo de acalento que o leitor encontra nesta passagem ao fim do mundo.

“Não sei o motivo de tanta Insegurança, Talvez por ser um rato, Talvez por ser criança, Vou roendo e brincando de esconder.”

Recomendo a viagem!

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