Não Esqueça | Carol Façanha

Não Esqueça, de Carol Façanha. Subterrâneo: Ascensão, de Anne G Beker. Andalyn, de Erika Lyrio. Pangea, de Aelita Lear. Vox, de Christina Dalcher. O que esses títulos têm em comum, além de serem distopias escritas por mulheres? Todos se baseiam em lutas por interesses, sejam pessoais, sejam corporativas, e sobre como laços familiares se amarram, se entrelaçam, se embaralham aos ideais, à lealdade e à cegueira que alimenta a máquina. Mas as comparações param por aí, porque cada história é narrada à maneira de sua autora, seguindo roteiros que não são comparáveis. Não se trata da mesma história, narrada por diferentes autoras. Se trata dos mesmos questionamentos, abordados sob diferentes óticas.

Pandora. Trompus. Nero. Corina. Paula. Sebastião. Fizra. A história é narrada sob sete diferentes pontos de vista. Uma escolha arrojada da autora – não é incomum encontrar resenhas dizendo que “o começo foi difícil mas, depois que me acostumei com a dinâmica, a leitura engrenou”. Para mim, não foi um problema, mas entendo os comentários e achei por bem ressaltar essa peculiaridade. Mas há um porquê, assim com a escolha dos nomes dos personagens, dos locais, da máquina que guarda a memória dos rebeldes… Tudo tem um porquê, até mesmo a linguagem lírica utilizada pelos personagens em seus pensamentos, quando narram seus pontos de vista, constrastando com os diálogos em linguagem usualmente menos formal. Imagine-se no universo de Blade Runner, o primeiro, aquela atmosfera futurística, mas noir; andróides, carros voadores e policiais com seus chapéus da década de 30 e seus cigarros esfumaçando o ambiente. Foi isso que a linguagem lírica escolhida me transmitiu.

Mas qual seria a verdade, senão a representação de algo, sob o ponto de vista e as experiências de vida de alguém que vê, que ouve, que sente? Qual o cheiro do mofo? Qual a textura de uma jaqueta de couro? De onde vem o MEU medo de água? Será que alguém me roubou aquela memória? Ou será que fui EU MESMO quem resolveu apagá-la, voluntariamente, para sempre?

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